Como Não Imprimir em um Prontuário Eletrônico


Fábio Castro

Recentemente tive a infelicidade de usar um computador acoplado a uma impressora matricial. O barulho era extremamente irritante e a lentidão da impressão era quase um minuto mais lento que uma impressora a jato de tinta/laser. Um objetivo da informatização deveria ser diminuir o tempo da consulta e logo vi que estava indo no caminho contrario.

Atendendo 12 a 16 pacientes por período de trabalho (manhã ou tarde), com uma média de 15 a 20 minutos por consulta, uma diminuição de 5 minutos por consulta, permitido por várias ferramentas do prontuário eletrônico, me permitiria aumentar o número de consultas para 15-20 consultas por período de trabalho. A impressora que eu estava usando estava me levando no caminho contrário. Eu teria que diminuir o número de consultas para compensar o tempo gasto com a demora na impressão. Nem dá para usar o tempo para dar orientações devido ao barulho.

Para piorar a demora é falta de educação entregar documentos com a remalina (os cantos furados do papel de impressora matricial). Já é mais um tempo perdido. Pelo menos para guardar o papel do prontuário será necessário tirar a remalina.

Existem 30 mil equipes do PSF atualmente no Brasil. Para aumentar a oferta de consultas em 10% seria necessário mais 3.000 equipes. Em termos econômicos seriam cerca de 300 milhões por ano só sem salário dos médicos (calculando 100 mil Reais de salário para um médico por ano). Ao instalar uma impressora matricial corre-se o risco de anular todo este investimento. Com um bom prontuário eletrônico é possível conseguir até mais do que 10% na oferta de consultas só diminuindo o tempo gasto automatizando burocracias.

Uma folha de papel A4 custa 3 centavos cada. Considerando uma média de quatro folhas por atendimento seriam gastos 600 Reais por ano em papel. Um cartucho de impressora custa menos de 100 Reais. O meu costuma durar alguns meses e daria um gasto de cerca de 400 reais por mês. Não sei quanto seria economizado na compra de uma impressora matricial, mas uma impressora de 500 reais dura vários anos ou um gasto de 100 reais por ano se durar cinco anos.

O custo de impressão gira em torno de 1000 reais por médico por ano e seria onde estariam investindo na economia, ou seja, não dá para economizar mais que mil reais por ano com uma impressora matricial). Se o tempo gasto com a impressão diminuir as minhas consultas em 10% serão 500 consultas a menos por ano. Se cada consulta custa cerca de 10 reais então seria um desperdício de 5 mil reais com a nova impressora.

O cálculo acima já mostra que compensa investir na criação de um Prontuário Eletrônico pensado no máximo de automação de funções burocráticas, mas deve-se tomar cuidado com outras formas de “sabotar” os ganhos. Certamente não foi um médico que resolveu economizar tinta e papel com uma impressora matricial e muito menos testou para ver o resultado irritante do “nheco, nheco” da impressão.

O tipo de impressora é apenas um problema a ser considerado durante a impressão. A imagem abaixo é de um “preview” de um prontuário Eletrônico. É a imagem que se vê antes de imprimir (não é obrigatória sua visualização). O formato (editado) é bem bonito e rico de detalhes e informações, mas o gasto de tinta também é grande. Em um consultório particular eu gostaria de usar o formato abaixo onde os detalhes podem ter retorno depois com a satisfação do usuário, mas no SUS tenho que pensar na economia em primeiro lugar. A vantagem de uma receita “legível” já compensa em relação a receita escrita manualmente.

imprimir1
A imagem abaixo é do mesmo “preview” anterior, mas tirado os detalhes desnecessários. Não foi usado letras grandes, nem negrito nem caixa alta. A quantidade de tinta gasta deve ser várias vezes menor. Com a impressão em uma impressora matricial a quantidade de “nheco, nheco” também seria bem menor assim como o tempo gasto. É uma solução bem mais simples que a troca de equipamento.

imprimir2
A maioria dos meus documentos impressos gasta menos de meia folha de papel A4 (receituário, pedido de exames, atestados) e existe a disponibilidade de papel A4 partido ao meio. Posso até imprimir no verso dos prontuários impressos para economizar ainda mais. Pode ser uma perda de tempo esta última dica, mas eu prefiro evitar um prontuário “gordinho”. São outras formas de economizar que não estão disponíveis em uma impressora matricial.

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