Sistemas de Apoio a Decisão no PSF


Fábio Castro

Um Sistema de Apoio a Decisão (SAD) médico é todo software que auxilie os médicos na solução de problemas (Shortliffe (1990). Uma das funções do Prontuário Eletrônico é o apoio a decisão e os SAD são as melhores ferramentas disponíveis, apesar de pouco conhecidos ou usados aqui no Brasil.

Os SAD médicos podem ser usados em qualquer momento do atendimento do paciente. Um bom exemplo de SAD muito usados pelos médicos, mas de forma manual, é o DEF – Dicionário de Especialidades Terapêutica. Em caso de dúvida o médico consulta o DEF em busca de informações sobre medicamentos. Um DEF informatizado é um exemplo de SAD com o da imagem abaixo.

saddef

Para ser realmente prático o “DEF” deve ser integrado com o Prontuário Eletrônico. Durante a prescrição o Prontuário Eletrônico deve ter meios para o profissional tirar as dúvidas rapidamente (informática = informação automática). A imagem abaixo seria um exemplo simples de como poderia ser esta integração. Basta clicar no “DEF” que os dados da medicação sendo prescrita aparecer automaticamente.

saddefpep

Os textos sobre Medicina Baseada em Evidência citam que um profissional tem cerca de 3-4 dúvidas por período de trabalho (cerca de 10 pacientes), mas a maioria está relacionada com prescrição de medicamentos (por isso o DEF ser citado primeiro).
Esse tipo de SAD descrito anteriormente é classificado como SAD Passivo (2) onde o profissional busca os dados e toma as decisões. Em um DEF ativo o profissional indica os dados e o software já indica as possíveis respostas. No exemplo abaixo temos um exemplo simples de SAD Ativo (ou os SAD verdadeiros). Basta clicar nos dados e a resposta é imediata.

sadhas

Para um especialista o exemplo acima não teria muita utilidade, mas no caso de um médico do PSF as classificações que tem que decorar são de todas as especialidades. Com um SAD como o exemplificado não seria preciso decorar detalhes e fica viável usar classificações sem esforço excessivo. Outro exemplo muito usado seriam as calculadoras para determinar a dose de medicações.

O link http://www.lookfordiagnosis.com/ é um bom exemplo de SAD ativo. Se eu escrevo os sintomas e sinais de Pneumonia (cough fever chill crackles) o diagnóstico aparece em 11o lugar. Os erros frequentes é um dos motivos desse tipo de SAD não ter muito sucesso. Na maioria dos atendimentos não são necessários, sendo reservados a dúvidas pontuais que aparecem no atendimento.

Um terceiro tipo de SAD seria os alertas. Um tipo de alerta, também relacionado com a prescrição, seria relacionar as medicações prescritas com outras medicações, intolerância/alergia e doenças. Por exemplo, o Prontuário Eletrônico daria um alerta caso o profissional prescreva Propranolol para um paciente com Asma. O software simplesmente vigiaria se as doenças codificadas (J45, por exemplo) têm alguma interação com a medicação prescrita.

Um SAD com bom potencial de uso no PSF seriam os usados para tirar dúvidas clinicas rápidamente. Um exemplo de “SAD” manual muito usado seria o Blackbook (de clínica, pediatria, cirurgia etc) visto frequentemente com plantonistas, acadêmicos e residentes. As linhas guias, protocolos e informativos são bons exemplos de SAD passivos quando disponíveis em um computador. Os que eu uso são em inglês, fora da realidade do Brasil e sem considerar as peculiaridades do PSF. Os nacionais têm o defeito de serem arquivos isolados, em grande quantidade, e em um formato difícil de usar (PDF). A vantagem é que é possível ter uma biblioteca inteira no computador ou no bolso caso sejam armazenados em um Palm Top.

Um estudo cita que os médicos de família gastam em média menos de 2 minutos encontrando respostas para duvidas em textos tradicionais. Comparado com um Palm Top com textos de referência de medicamentos são gastos apenas 20 segundos até se obter a resposta (4). O mesmo artigo cita que os Palm com esta capacidade são usados em 64% dos ambulatórios nos EUA. No PSF os arquivos seriam instalados no computador como é o meu caso. É uma boa indicação que a aceitação seria garantida.

Eu uso essas ferramentas em cerca de 10% dos meus atendimentos. São dúvidas pequenas em problemas comuns; problemas raros e áreas de pouco domínio. As informações disponíveis são maiores que os recursos cognitivos de qualquer ser humano e sempre vejo colegas procurando consultas mesmo que seja com outros colegas. Também usava mais quando tinha menos experiência.

A literatura (3) cita que os SAD têm várias vantagens como evitar erro médico, melhorar a qualidade do cuidado, aumentar a eficiência do atendimento (healthcare intelligence), atualização do profissional (knowledge intelligence) e outros. Um estudo britânico sobre SAD mostra que as receitas dos médicos que usam um SAD são mais de 4 dólares mais baratas (em medicação) prescrita com o grupo controle (1).

Os SAD descritos são caros de criar e manter. Teriam limitações comerciais por serem fáceis de copiar e piratear dependendo do tipo de arquivo (PDF, por exemplo). Para o governo não seria muito problema devido a grande demanda potencial (30 mil equipes do PSF além de UPAs, hospitais, especialistas etc.) e recursos humanos para criar e manter os SAD (universidades, secretarias municipais e estaduais).

1 – http://www.annfammed.org/cgi/content/abstract/2/5/494
2 – http://en.wikipedia.org/wiki/Clinical_decision_support_system
3 – http://www.coiera.com/aimd.htm
4 – http://www.biomedcentral.com/1472-6947/5/9

4 Respostas to “Sistemas de Apoio a Decisão no PSF”

  1. Eno Says:

    Caro colega.
    Seria interessante incluir os serviços de Teleconsultoria, onde os médicos postam suas dúvidas para respostas baseadas em evidências. Exemplos são o TelessaúdeRS ou o ATTRACT.
    Abraços,
    Eno

  2. infomedpsf Says:

    A Telemedicina/teleconsultoria é um tema separado na informática médica. Não se encaixa no conceito de SAD, que não foi tão bem explicado, por não ser usada durante a consulta médica (mas pode ser usada), e não está relacionada com uma base de conhecimento (banco de dados no computador) e sim com contato com outra pessoa. A Telemedicina funciona bem com problemas complexos ou quando outros meios não foram suficientes. Referenciar a um especialista, uma pesquisa minuciosa na internet ou em um livro seriam outra medidas tomadas antes de se recorrer a Telemedicina. Para quem está isolado a Telemedicina também seria uma opção no lugar dos especialistas e até consulta a outros meios.

    Fábio Castro

  3. GIRCÉLIA FERREIRA DE ALKMIM Says:

    Sou enfermeira trabalho em PSF, é uma loucura ou seja um sofrimenro total com tantos papéis.
    Visualizei este modelo de PRONTUÁRIO ELETRÔNICO DO PACIÊNTE, achei interessante
    Será possível um teste ou uma análise deste prontuário?

  4. William Schneider Says:

    Bom Dia estou me formando em Ciência da Computação
    e meu projeto de conclusão será um framework para gerenciamento de riscos em Sistemas de Apoio a Decisões Clínicas. Gostaria de trocar uma idéia com você sobre o tipos de SAD e os que mais carecem de uma gestão de riscos, também necessito de bibliografia.

    Desde já agradeço

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