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Acompanhamento Hospitalar Virtual

17 de setembro de 2009

Fábio Castro

O Médico de Família e Comunidade (MFC) tem como uma de suas atribuições acompanhar os seus pacientes também no hospital. No PSF, com uma população muito grande para os padrões internacionais (4.000 x 1500) esta função ficou difícil de ser preenchida. O problema piora pois os hospitais não tem esta estrutura e nem a maioria dos profissionais tem consciência dessa função.

De certa forma é possível pensar em algumas ferramentas para o MFC usar o Prontuário Eletrônico para apoiar esta função pelo menos de forma parcial.

O Prontuário Eletrônico já permite que um paciente acompanhado por vários profissionais tenha os dados visualizados por todos. Os pacientes internados em um hospital ou sendo atendidos em um serviço de Pronto Atendimento. Um sistema de alerta simples poderia permitir que o médico do PSF tivesse um aviso em tempo real de um paciente sendo atendido em condições de urgência/emergência ou foi internado em um Hospital.

A consulta seria virtual e com a possibilidade de fazer comentários. Não seria o mesmo que uma visita real, mas uma avaliação parcial já pode trazer alguma melhoria. O simples fato do médico “do outro lado” saber que o seu trabalho está sendo avaliado ou vigiado já é uma pressão para a qualidade do atendimento. O MFC pode observar os dados e ver que tem que tomar a iniciativa de intervir evitando complicações.

O acompanhamento pode até ser planejado ao se encaminhar um médico para o serviço de Pronto Atendimento. O acompanhamento seria até agendado para ser visualizado mais tarde ou no dia seguinte. O médico teria acesso fácil ao diagnóstico, resultado de exames etc. O mesmo pode ser feito com os médicos do Hospital ou pronto atendimento tendo a opção de ver a evolução do paciente ao ser atendido depois pelo médico do PSF.

Desconheço se existe alguma ferramenta parecida, mas o exemplo mostra bem o potencial do Prontuário Eletrônico de viabilizar algumas práticas, condicionar os médicos a atuar na APS como deveriam mesmo sem ter consciência, levando a uma mudança real da prática médica.

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Exemplo de Biometria no Prontuário Eletrônico do SUS

8 de setembro de 2009

Fábio Castro

Ao levar minha filha em uma consulta no convênio não pude deixar de notar que havia um leitor de impressão digital na recepção. A secretária disse que alguns pacientes estavam usando o mesmo cartão do convênio para vários adultos. O leitor de impressão digital era a medida para evitar o abuso.

O termo biometria vem de bio (vida) + metria (medida) sendo descrito como o “estudo estatístico das características físicas ou comportamentais dos seres vivos”. O termo está associado à medida de características físicas ou comportamentais das pessoas como forma de identificá-las unicamente. As técnicas de reconhecimento de face são tidas como de pouca confiança, mas é um sistema rápido e de baixo custo.

No SUS não vejo muita necessidade de tanto cuidado por ser um sistema de acesso universal. No caso do PSF o problema está mais relacionado com pacientes de outra área de abrangência que tentam usar os serviços de outra área de abrangência ou até de outro município.

Um meio simples de vigiar o problema é ter a foto do paciente no prontuário. É relativamente comum encontrar Prontuários Eletrônicos com esta capacidade como no exemplo abaixo.

fotopep

Uma foto do paciente mostrada no Prontuário Eletrônico do PSF parece ter pouca utilidade no durante o atendimento, pois o paciente está na sua frente, mas pode acontecer do profissional ter entrado o nome do paciente errado e estar preenchendo o prontuário de outra pessoa o que é relativamente comum. Pode acontecer até de passar a medicação correta para o paciente errado (chamados de eventos não intencionais). Foi devido a um desses “eventos não intencionais” que eu consegui passar um exame de PSA para uma “mulher”.

A princípio basta uma webcam para capturar a imagem. A câmera pode estar disponível no computador da recepção ou no computador do profissional que faz o atendimento (Médico ou Enfermeiro). O custo não é um fator limitante visto que não é necessário uma grande definição da imagem e pode ser usada por várias equipes. O valor pode ser menos de 100 Reais e dura vários anos.

A imagem pode ser útil em outras ferramentas como na agenda dos profissionais para visualizar se o paciente que chegou é mesmo o listado. Na lista de pacientes que chegaram o Médico pode saber quem é o próximo pela foto.

fotopep2

O acesso a uma foto do paciente durante a reunião de equipe também seria útil. No meu caso levo pelo menos um ano para começar a reconhecer o paciente que os ACS e enfermeiros estão comentando e mesmo assim erro muito. Com o Prontuário Eletrônico apoiando a reunião de equipe e com uma imagem indicando quem é o paciente da discussão fica bem mais fácil relacionar o nome a pessoa, ou lembrar depois quando ter contato com o paciente citado. Já posso ter consultado o paciente várias vezes e ainda assim não me lembro de quem estão falando.

Já me ocorreu uma situação onde os ACS informaram o falecimento de um paciente e visualizei quem era. O problema é que era um paciente com o mesmo nome e foi um susto ver o “defunto” aparecer no meu consultório.

A capacidade de lembrar o nome dos pacientes varia de um profissional para o outro. Os ACS trabalham com área de abrangência várias vezes menor que o médico e tem contato com paciente em frequência bem maior. Para os ACS seria bem mais fácil conhecer os pacientes e a famílias em relação os outros profissionais de equipe.

Mais complicado, mas também útil, seria um Sistema de Informação onde a foto poderia facilitar reconhecer quem é o paciente listado.