Prontuário Pessoal de Saúde


Fábio Castro

O desenvolvimento da Telemedicina é dividida em três fases. A primeira onda foi ligar pontos separados para a aplicação de telecirurgia invasiva. A segunda onda consiste em usar uma rede digital para consulta virtual incluindo diagnostico médico. A terceira onda, mas recente, consiste no empoderamento do paciente com conhecimento médico para atingir melhores resultados nos cuidados de saúde. Está terceira onda gerou o Personal Health Informatics (PHI).

Nos países desenvolvidos os médicos já citam que os pacientes têm acessado a internet para se informar sobre seus problemas de saúde com bons resultados. Cerca de 117 milhões de americanos pesquisam saúde na internet sendo 85% antes de ser consultado. Fora dos EUA este uso da internet cresce mais lentamente.

Quando a Medline foi aberta ao publico em geral os acessos subiram de 7 milhões em 1996 para 120 milhões em 1997. Foi estimado que a maioria era de não médicos. Esta atividade tende a balancear a relação com médico e leva até a conflitos como no caso dos cibercondríacos que podem desafiar os médicos com informações baseadas em evidências da internet. Os pacientes até imprimem paginas da internet para discutir com o médico.  

Prontuário Pessoal de Saúde no PSF

Uma das ferramentas do PHI é o Prontuário Pessoal de Saúde (Personal Health Record – PHR). Um PHR é uma fonte de informações em saúde necessárias para um paciente, disponível universalmente de forma eletrônica, com o objetivo de ajudar os pacientes a tomar decisões em saúde. O paciente é o proprietário e gerencia o PHR que também fica disponível para os serviços de saúde. O paciente determina quem tem direito de acessar o PHR. O PHR é separado do prontuário eletrônico e não o substitui legalmente (AHIMA, 2005).

A seguir serão mostrados como um Prontuário Pessoal de Saúde pode ser útil para as equipes e pacientes do PSF. As ferramentas estão disponíveis em vários modelos de Prontuário Pessoal de Saúde, não todos no mesmo Prontuário Pessoal de Saúde, e em alguns casos o exemplo foi adaptado para a realidade do PSF e já considerando novas possibilidades.

Um objetivo do Prontuário Pessoal de Saúde, como já citado na introdução, é melhorar o acesso a informação médica pelos pacientes com uma enciclopédia de saúde. Com a lista de problemas criado por um Prontuário Orientado por Problemas o paciente tem acesso as informações necessárias praa cada problema como descrição da doença, as medicações que usa, bulário das medicações, informações, cuidados, prevenção, etc. As informações sobre os problemas específicos do paciente ficam disponíveis automaticamente. A literatura médica está disponível principalmente em inglês e mesmo em português a linguagem técnica pode ser difícil de entender. Então a enciclopédia de saúde tem uma linguagem simplificada e ainda pode ser direcionada para os interesses das equipes do PSF.

O conhecimento enciclopédico pode estar disponível separadamente em Portais na web. O termo Portal é usado por ser dinâmico enquanto um site é estático. Podem ser Portais genéricos ou específicos para uma doença. O objetivo é diminuir o efeito colateral das informações disponíveis da web. É difícil saber a origem da informação, o usuário podem não ter meios para fazer julgamento, pode levar a diagnóstico errado, pode seguir conselhos errados, pode ser influenciado por interesses dos laboratórios farmacêuticos e a abundância de informação resulta em muito tempo gasto até encontrar as informações adequadas.

Os Portais podem agregar informações de várias fontes e deixar disponível para todos os usuários. De certa forma protege do caos da internet e direciona para objetivos já conhecidos. Alguns Portais são usados para promoção a saúde com tutoriais ensinando o paciente a parar de fumar e gerenciamento de peso para idosos. No PSF seria necessário certa integração. O médico pode receber informações no PEP que o paciente acessou alguns tutoriais e participar do processo.

Os links abaixo são exemplos de Portais com conhecimento enciclopédico:
Health Central
PlanetRx.com   (tem conteúdo comercial indicando como eram os Portais iniciais voltados mais para o e-commerce)
Health Smart  (conceito de Health Smart na visão do governo australiano)
Clinical Knowledge Summaries   (governo britânico)

A criação de um “SUStube” com vídeos seria a próxima evolução. Poderia ser na forma de informações sobre como usar medicação inalatória ou aplicar insulina.

Um Prontuário Pessoal de Saúde integrado com o Prontuário Eletrônico permite acessar informações do prontuário, exames laboratoriais, dados de vacinação e medicações. Para cada um dos exames ou medicações haveria uma explicação em linguagem simples, como já citado, como bulários e informações sobre doenças.

O Prontuário Pessoal de Saúde pode diminuir a barreira entre o médico e uma segunda opinião. No PSF o paciente está, de certa forma, obrigado a ser atendido por um único médico a não ser o caso de pacientes que consultam em equipes de cidades diferentes.

O Prontuário Pessoal de Saúde permite criar novas formas de comunicações entre os usuários e os serviços de saúde, principalmente os profissionais das equipes do PSF. Os novos meios de comunicações como e-mail, chat, MSN e Portais podem ser usados para marcação de consultas e tirar dúvidas. O paciente pode ver avisos da sua equipe do PSF informando sobre orientações para marcar consultas, agenda dos profissionais, avisos como férias, cursos onde haverá profissionais ausentes evitando que os pacientes procurem o serviço de saúde desnecessariamente.  

Uma consequência nas novas formas de comunicação, e acesso, é ser uma opção mais barata que ir ao médico. Seria mais usado por pacientes que moram longe do serviço ou com consultas de problemas simples e que não requerem uma consulta médica. Um paciente pode necessitar apenas de orientações sobre problemas simples como, por exemplo, o que fazer em caso de criança com constipação intestinal (dieta por exemplo). Se não resolver então seria orientada a procurar os serviços de saúde. A economia seria mais evidente no caso de consultas particulares ou convênios e no PSF seria mais para ganhar tempo para o paciente e para a equipe. Um efeito colateral é ser um novo meio para quem tem vergonha de ir ao médico e conseguir uma resposta de forma anônima.

O Prontuário Pessoal de Saúde pode ser usado para dar alertas online, avisos de serviços como a necessidade de uma nova consulta, vacinação, pegar resultado de exames e renovar medicação. O alerta pode ser iniciado pela equipe ou o próprio Prontuário Pessoal de Saúde identifica uma necessidade automaticamente. Essa ferramenta evitaria uma boa parte das consultas por  Síndrome de RIV (conjunto de sinais e sintomas que o paciente inventa para no final pedir para o médico renovar a receita de RIVotril – ou outra medicação).

O Prontuário Pessoal de Saúde deve ter ferramentas para criar novas oportunidades para o paciente de encontrar outros usuários e se integrar com a comunidade de apoio como chat do grupo de paciente e fóruns de discussão. Uma busca com o termo “Síndrome de Down” no Orkut irá mostrar várias comunidades a respeito onde o paciente pode encontrar apoio de outras pessoas com o mesmo problema (os familiares) e trocar experiências.

Não se aplica ao PSF, mas em outros países o Prontuário Pessoal de Saúde também é usado para controle de pagamento e checar contas. Outras questões relacionadas com o Prontuário Pessoal de Saúde é a interoperabilidade e portabilidade, e garantir a segurança e privacidade.

Interface do Prontuário Pessoal de Saúde

No PSF o Prontuário Pessoal de Saúde teria uma interface semelhante ao Prontuário Eletrônico. Os alertas e lembretes são ferramentas semelhantes as já disponíveis para os médicos. Já estar cadastrado com uma equipe do PSF facilita a maioria das ferramentas citadas. Um prontuário eletrônico baseado no POP (prontuário orientado para o problema) já seria um primeiro passo para a troca de informações com o sumário e listas de problemas, tabelas de exames e de medicação.

O MEDFUSION e o MyPHR são exemplos de PHR baseados na internet.

As Interfaces Gráficas abaixo são exemplos de PHR.        

phi1

phi2

Um prontuário eletrônico tem um módulo de agendamento onde o paciente encontra informações sobre como agendar consultas, e enviar mensagens para tirar dúvidas sobre os sintomas. É o local onde receberia alertas sobre consultas periódicas ou renovação de receita. Também receberia alertas do Formulário de Manutenção de Saúde em relação a idade ou patologias.

O equivalente da anamnese e exame físico seria a possibilidade do paciente poder entrar dados como queixas e dados que podem ser aferidos em casa como glicemia capilar e pressão arterial. Os dados serão depois visualizadas pela equipe, durante a consulta ou com alertas automáticos em caso de alterações.

Na ficha de prescrição o Prontuário Pessoal de Saúde lembra o paciente de tomar medicação, dá alerta de horários e informações sobre as medicações. Uma ferramenta já em uso é usar alerta por telefone ou mensagem por celular sobre a medicação. Para quem tem problemas de memória pode anotar quando tomou a medicação para não repetir.

Enquanto o médico usa o PEP para pedir exames laboratoriais o paciente pode visualizar os resultados e até anotar os resultados de exames realizados em outros serviços. Também pode anotar alergias, vacinas, cirurgias, internações e história familiar.

O Prontuário Pessoal de Saúde pode ajudar o paciente em todas as fases de uma consulta clínica. O primeiro passo é saber quando procurar o serviço de saúde. O Prontuário Pessoal de Saúde fornece informações sobre o funcionamento da equipe do PSF, dá alerta de consultas e retornos, mostra informações de saúde e indica os problemas mais frequentes da idade com o Formulário de Manutenção de Saúde.

Se um paciente pretende ir a uma equipe de PSF então o próximo passo é ter acesso. O Prontuário Pessoal de Saúde pode ajudar o acesso facilitando a marcação de consultas, evita visitas desnecessárias, diminui a fila, e fornece lembretes. Conseguindo uma consulta médica o próximo passo é facilitar o diagnóstico ou não conseguirá um tratamento. O Prontuário Pessoal de Saúde irá ajudar o médico dando informações quando o paciente está fora da equipe de saúde em um serviço com acesso a internet. O paciente entra com sua senha e o médico tem acesso a informações como lista de problemas, medicações e exames. As anotações sobre sintomas, dados vitais e uso correto (ou não) da medicação seria outro auxílio ao médico.

No tratamento o Prontuário Pessoal de Saúde pode ser mais interessante com o paciente tendo orientações em casa sobre suas patologias, alertas de horários de medicação e controle de uso de medicação. O simples fato de anunciar o resultado do tratamento pela internet já pode evitar uma consulta extra (e pode ser estruturado para criar estatísticas).

Os PHR apareceram na década de 90 de forma online e softwares. Nos EUA apenas 2% dos pacientes com PEP tinha um PHR em 2005. No PSF é previsível que uma pequena parcela dos usuários usaria os recursos citados, mas é um assunto que já poderia ser estudado e testado para futura implementação. Cerca de 25% da população brasileira tem acesso a internet, mas a maioria está concentrada nas classes mais altas. Os pacientes de classes mais baixas já têm acesso fácil a computadores com financiamentos, equipamentos usados, e acesso a internet grátis.

A acessibilidade ao PHI está relacionada com a disponibilidade de Portais, disponibilidade de computador, acesso a internet e conhecimento de informática básica. Os jovens são os maiores usuários sendo os principais alvos da implementação de um Prontuário Pessoal de Saúde e para auxiliar os outros moradores da casa.

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