Ficha de Produção no Prontuário Eletrônico


Fábio Castro

Uma das primeiras coisas de positiva que notei ao usar um Prontuário Eletrônico foi no fim da consulta. O Prontuário Eletrônico tinha uma ficha de produção automática que evitava o preenchimento da ficha de produção manual. Não só era uma burocracia a menos, mas também ganhava tempo não tendo mais que colocar o nome do paciente, CID, idade, sexo, pedidos de exames, etc. Com o Prontuário Eletrônico era tudo automático.

Porém, também logo vi problemas. A ficha disponível era na verdade semi-automática e ainda era necessário preencher alguns campos. Logo vi que dava para automatizar ainda mais. O software bem que podia perceber que foi pedido um exame ou pedido algum encaminhamento para o especialista e preencher os campos automaticamente. O médico só teria a opção de vetar para o caso de mudar de idéia. Sempre tenho que escolher se foi dado alta ou retorno, mas o médico de família nunca dá alta ao paciente, pois sempre irá retornar mesmo que seja com outro problema.

O exemplo abaixo é de outro Prontuário Eletrônico onde a primeira coisa que tinha que fazer é determinar o tipo de atendimento. A tarefa tinha ser feita em todo atendimento, mas não foi percebido que podia ser automatizado. Se o atendimento é em um Pronto Atendimento então o médico salva que a consulta é sempre de urgência e não irá mais ter que fazer estas anotações. Se for um ginecologia pode salvar as opções mais frequentes (exame ginecológico, preventivo, pré-natal etc.) e clicar na opção desejada. É bem mais rápido do que ter que fazer uma busca pelo procedimento certo em todo atendimento como mostrado abaixo. Para preencher um dos itens da produção é preciso fazer uma busca no item (1) e depois escolher (item 2).

Uma ficha de produção informatizada permite ir até mais longe acrescentado novas informações e detalhes que seriam inviáveis em uma ficha de produção em papel. O pagamento por produção, já citado em outro posto no blog, exige bem mais detalhes que nem iriam aparecer na produção como número de problemas, tempo da consulta, palavras digitadas etc.

No exemplo abaixo eu anoto que encaminhei o paciente e prescrevi exames laboratoriais, mas poderiam ser salvos os exames e o encaminhamento específico. Posse ter feito vários encaminhamentos e só tenho a opção de anotar um. Se o objetivo é criar estatísticas então ficariam bem mais detalhadas.


O Prontuário Orientado por Problemas (POP) seria ótimo para auxiliar a produção sendo um filtro para a produção de cada problema. Geralmente o médico de família atende pacientes com vários problemas ao mesmo tempo. Em uma produção mais simples seriam mostrados quantos encaminhamentos o profissional realiza por consulta e com o POP seria mais específico com os encaminhamentos sendo feitos por problema. Por exemplo, se o médico atente 500 consultas por mês e encaminha 150 pacientes então a estatística irá mostrar que ele estaria resolvendo pouco mais de 2/3 dos problemas daquela população. Com o POP seria possível mostrar que o profissional atendeu, por exemplo, cerca de 1000 problemas e encaminhou 150 problemas. Com o POP a estatística irá mostrar que está resolvendo mais de 85% dos problemas da população sendo que este é o objetivo.

Com dados ainda mais específicos já seria possível medir a qualidade do atendimento. Evoluindo um paciente hipertenso no POP a produção pode anotar que foi indicado um efeito colateral de certa medicação (ex: tosse com uso de Captopril), criado um alerta para este efeito colateral, o médico pediu exames rotina conforme o protocolo e alertado pelo Prontuário Eletrônico, e que o paciente está mantendo a Pressão Arterial controlada.
Estes dados podem ser pontuados para medir a qualidade. No meu atendimento pela manhã de pacientes hipertensos com outras queixas costuma se resumir a aferir a Pressão Arterial e renovar receita. Neste caso a pontuação seria baixa. Repetindo a pontuação baixa para o mesmo paciente então pode ser dado um alerta para mudar o perfil do atendimento. No mínimo seria indicado a marcação de uma consulta para um período com mais tempo para o atendimento.

Um programa de educação médica do Estado de Minas Gerais, o PEP – Programa de Educação Permanente, mostra que os médicos que participam do programa tentem a prescrever menos exames e realizar menos encaminhamentos. A produção poderia medir estes dados dando um valor (em Reais mesmo) para cada exame prescrito. É de se esperar que os gastos médicos diminuíssem com programas de educação continuada com o citado e outras medidas para melhorar o desempenho dos médicos de família, sendo um modo de avaliar o custo-benefício. Geralmente estes dados de custos são macros, ao nível de município, não sendo específicos por profissionais.

Uma resposta to “Ficha de Produção no Prontuário Eletrônico”

  1. nilton de faria pereira junior Says:

    Gostaria que me enviasse por email um modelo novo de mapa de produção do psf e CEO(centro de especialidades odontológicas.

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