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Prontuário Eletrônico – Teoria e Prática

28 de janeiro de 2010

Fábio Castro

Recentemente baixei para testes um Prontuário Eletrônico recém lançado no mercado. É o P2D (www.P2D.com.br) que usa tecnologia “cloud”. O programa está disponível para testes por 30 dias.

Um dos objetivos do Blog Informática Médica no PSF é informar os profissionais, gestores e usuário para terem um mínimo de senso crítico em relação a Informática Médica. Então pensei em testar o P2D julgando com as informações já passadas nos posts do Blog. Também irei considerar que o P2D irá substituir o Prontuário Eletrônico que estou usando atualmente e se seria um grande avanço.

Ainda não existe um consenso sobre o conteúdo de um Prontuário Eletrônico. Para piorar o conteúdo necessário varia de um serviço para outro como hospitais, ambulatórios e pronto-atendimento. Os posts seriam idéias gerais sobre o melhor caminho a seguir. O site do P2D cita estarem interessados em atender a 80% da população. O PSF já cobre cerca de 50% da população do país e deve chegar a 70%. O P2D está preparado para cumprir a sua missão no PSF?

O primeiro critério usado é se o prontuário é fácil de aprender a usar e rápido de usar. Eu não li nenhum arquivo de ajuda ou tive acesso aos desenvolvedores para tirar dúvidas. Se for fácil de aprender não terei problemas. Sem ajuda externa também poderei cometer erros até banais. Quanto menos erros banais na aprendizagem também mais fácil de aprender será o programa (usabilidade). A primeira coisa que observei foram as caixas de ajuda sobre os campos a preencher ou clicar. Basta colocar o ponteiro do mouse sobre o que tem duvida e logo aparece a caixa de ajuda automaticamente.

Como em todo prontuário eletrônico a primeira coisa a fazer é cadastrar os profissionais e os pacientes. Cadastrei a minha esposa e a minha filha para serem “consultadas”. Os dados do paciente não aparecem durante a consulta e o médico tem que procurar os dados como a data de nascimento e/ou idade, endereço etc. No caso do PSF faltam dados como a equipe e microárea.

Existe a opção de colocar a foto do paciente. Se clico no nome do paciente na barra superior do Prontuário eletrônico a imagem aparece. O problema é que não consegui fazer a imagem sumir novamente. A imagem ocupa muito espaço.

Existe uma ferramenta de busca para encontrar os pacientes. A barra de ferramenta no canto superior a direita tem alguns comandos. Tem que aprender rápido sobre estes comandos ou se fica perdido. Ai começa os problemas pois dou o comando “atender” e não acontece nada. Tenho que clicar na barra da esquerda, que passa para o canto inferior em “história clínica”. Depois clico novamente na barra superior direita no comando “novo atendimento”. O meu prontuário eletrônico atual só precisa de um clique em um quadradinho em branco sendo mais difícil perceber, mas depois fica mais fácil com menos “zigue-zagues”.

Na entrada dos dados da história clínica a primeira observação na Interface Gráfica dos campos para preencher é não ter campos para preencher. Se clicar na opção “ver detalhes” é aberto um CPOE (entrada de dados estruturado) cheio de campos que o usuário não está acostumando. Se clicar na opção “clicar para adicionar nova nota” já aparece um campo para preencher (editar textos).

O Interface Gráfica abaixo é de uma história simplificada usando os recursos mais simples. Usei a “Queixa Principal” para a anamnese e a “História da Moléstia Atual” para o Exame Físico pois o campo de exame físico não tem espaço para criar um texto. A imagem não mostra, mas existe um campo para colocar o diagnóstico logo abaixo. Também repeti o texto várias vezes para ver o que acontece no caso de um texto grande (clique na imagem para aumentar o tamanho).

O atendimento que fiz acima seria para um atendimento rápido. Usando a opção “ver detalhes” o atendimento vai ser mais detalhado, mas também bem mais demorado. A interface gráfica abaixo mostra o Exame Físico cardíaco. A imagem mostra uma caixa de ajuda em amarelo (clique na imagem para aumentar o tamanho).

A ficha de Exame Físico é bem detalhada, com várias fichas adicionais. Mas também começam as limitações pois só tem CPOE do sistema cardíaco e respiratório. Onde fica o digestivo, nervoso, ósseo etc? Os médicos do PSF cuidam de praticamente todas as áreas.

Uma entrada de dados tão detalhadas pode gastar muito tempo. Seria muito útil se estiver relacionado com um Sistema de Apoio a Decisão. Conforme o conjunto de sinais escolhidos o programa pode sugerir possíveis diagnósticos como para um certo tipo de ausculta cardíaca.

Entrar com os dados dos resultados de exames complementares não é intuitivo. Tenho que entrar o exame, valor de referência, resultado do exame e se está normal, mas nem todos os campos têm necessidade de preenchimento. É bem mais fácil escrever no mesmo espaço da anamnese. No prontuário atual que uso os dados dos exames complementares realizados no laboratório da prefeitura já estão guardados no computador. Ficam disponíveis para o médico antes de serem entregues para os pacientes. Podem ser visualizados com alguns cliques (clique na imagem para aumentar o tamanho).

A ficha de diagnóstico não é intuitiva como o arquivo de CID10 que eu tenho. No arquivo de ajuda do CID10 é possível escolher categorias e não só fazer pesquisa por palavras como no caso do P2D (clique na imagem para aumentar o tamanho).

Depois de feito a Anamnese, Exame Físico e dado uma Hipótese Diagnostica vem a Prescrição. Primeiro fiquei perdido pois na parte superior esquerda da Interface Gráfica tem uma indicação para “medicamentos”. Clicando não aparece nada. Depois de procurar um pouco percebi que havia uma ficha para prescrição que estava bem no canto inferior esquerdo. Estes zigue-zagues é que irritam no começo. Depois de clicar na “prescrição” novamente tenho clicar em “novo” para indicar que vou fazer uma prescrição. No meu prontuário eletrônico atual já está pronto para uma prescrição sem necessitar dar ordens.

A Prescrição é baseada em uma prescrição estruturada tendo que fazer uma busca sobre a medicação e preencher os dados em menus “drop down”. A montagem abaixo foi baseada em várias Interfaces Gráficas mostrando os passos necessários para prescrever uma medicação (clique na imagem para aumentar o tamanho).

A prescrição eletrônica foi bem decepcionante. Só havia a opção de prescrição estruturada tendo que escolher vários campos. Um prontuário eletrônico deve ter a opção de prescrição não estruturada (texto livre) e com modelos já salvos. No caso do médico querer prescrever uma medicação que não está na lista disponível, ou criar orientações, fica bem difícil.

Parece que o P2D tem a opção de modelos de prescrição pronta ou está em desenvolvimento. Na ficha de “especialidades” aparece a opção de dermatologia com uma lista de doenças. Clicando na doença aparece uma lista de medicações para aquela doença. Cliquei na medicação e não aconteceu nada. A interface gráfica abaixo mostra como aparece no prontuário (clique na imagem para aumentar o tamanho).

Se os modelos de prescrições estão disponíveis só para indicar tratamentos será um Sistema de Apoio a Decisão bem simples não servindo como prescrição de modelos prontos. No meu prontuário atual eu tenho a opção de criar uma prescrição e salvar. Clico em “Amoxicilina 10 dias” e já sei que vai passar “Amoxicilina 500mg de 8 em 8 horas por 10 dias” com apenas um clique de botão. Só tenho o trabalho na hora de salvar o exemplo e depois fazer a busca.

Pedir exames também não é tão fácil. É bem diferente de pedir um exame complementar na forma manual. Não sei se os pedidos de exame ficam salvos para os campos com resultados serem preenchidos depois como no prontuário que uso atualmente. Isso evitaria duplicação de trabalho.

Pedir um encaminhamento é bem complicado. Só consegui encaminhar o paciente depois que salvei a prescrição. Antes fiquei procurando inutilmente. Depois de aparecer o formulário só aparece opção de busca por nome ou CRM do médico e não da especialidade. No SUS não existe esta opção de escolher o médico que o paciente será atendido.

Não consegui passar nenhum tipo de atestado ou relatório. Não achei nada que indique onde fica.

Imprimir até que foi um avanço pois o P2D tem tecnologia de segurança de informação que dispensa a impressão e guarda do prontuário em papel. Mas na hora de imprimir o receituário e os pedido de exame já não foi tão fácil. Tenho que clicar primeiro na opção “guardar prontuário” para poder imprimir. Para alterar a impressão tenho que clicar em “complementar”. O meu prontuário atual permite mudança a qualquer hora. Mudou de ficha ou campo e já está salvando. A Interface Gráfica abaixo seria uma dica sobre como seria mais fácil imprimir com um botão próprio em cada ficha.

Nos dias subsequentes em que usei o P2D tentei ver se era fácil ver os dados dos atendimentos anteriores. Foi difícil, mas existem campos para clicar e aparecer os dados. Comparado com meu prontuário atual a impressão não foi boa. Foi difícil descobrir onde fica enquanto no atual existe um campo com data em várias fichas para ver os dados dos atendimentos anteriores.

Existe um campo para comentários, mas não sei se funciona como lembrete. Não consegui fazer funcionar.

Depois de “consultar” a minha esposa fui “consultar” a minha filha. A primeira coisa que reparei é que os recursos são os mesmos e não tem nada de diferente ou adicional para um atendimento de Pediatria. Imagino que para atender idosos ou grávidas seria o mesmo problema. Espero que estes detalhes estejam nos planos de evolução do P2D.

Esta parte é uma visão geral comparando com o prontuário que uso atualmente e com o mínimo necessário para um atendimento rápido. Agora vamos ver se o P2D tem características mais avançadas e mais adequadas ao atendimento no PSF.

A primeira coisa que procurei no P2D é se usava o conceito de Registro Médico Orientado para o Paciente (RMOP) com o SOAP como preconizado para os médicos de família. Não existe nenhuma ferramenta proposta como lista de problemas, SOAP, lista de problemas familiares ou tabelas de exames/prescrições. Seria muito interessante para facilitar o atendimento dos pacientes no PSF que geralmente te vários problemas para um único atendimento, ao contrário de um especialista que trata um problema de cada vez.

No fim da ficha de dados clínicos tem campos para colocar referências e links sobre aquele diagnóstico. Então existe um primeiro passo para adicionar ferramentas de Gestão do Conhecimento no P2D. A lista de medicação pronta também lembra o assunto. Não esperava nada detalhado pois geralmente custa caro.

A prescrição eletrônica não parece ter nenhuma ferramenta de Prevenção Quaternária como Interação droga-droga e até mesmo lembretes de alergias para o médico preencher.

Na abertura do P2D existe uma opção para usuários. Não existe a opção de se inscrever como usuário para ver como funciona. Tudo indica que o P2D foi pensado para funcionar como Prontuário Pessoal de Saúde.

No caso do PSF um Sistema de Informação com dados do SIAB e para medir o desempenho dos médicos seria interessante. Não vi nada parecido a não ser a parte financeira que é mais do interesse dos convênios.

Não existe Prontuário Eletrônico pronto e a literatura cita que todo Prontuário Eletrônico é um projeto que não para nunca, nem que seja para ser atualizado. O P2D é um projeto novo e ainda tem muito para crescer. Os responsáveis podem não gostar das críticas, mas uma das fases do projeto de um Prontuário Eletrônico é o aperfeiçoamento com dados sugeridos dos usuários. De certa forma estou colaborando para este aperfeiçoamento e até mandei um e-mail para os desenvolvedores indicando as críticas.

Hoje eu reclamo muito do Prontuário Eletrônico que estou usando. Se fizessem uma concorrência para atualizar e o P2D ganhasse eu logo estaria lembrando daquela frase “eu era feliz e não sabia”.

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Prevenção Quaternária – Calculando Fator

17 de janeiro de 2010

Fábio Castro

O primeiro Prontuário Eletrônico que usei tinha uma ferramenta muito interessante para calcular a dose de medicações em pediatria. Era o “fator”, ou o número que multiplicado pelo peso irá mostrar a dose adequada (para cada esquema de administração). Os “fatores” não vinham embutidos no programa e o usuário tinha que determinar qual fator usar para cada droga.

O programa ainda tinha limitações pois a dose de uma medicação nem sempre é fixa e pode variar conforme a patologia e não havia esta flexibilidade no software. Funcionava bem criando um fator médio para poder facilitar arredondar os valores para facilitar o uso.

A interface gráfica abaixo é um exemplo de prescrição usando fator (clique na imagem para aumentar de tamanho). Primeiro é necessário indicar o peso do paciente (1). Escolhendo a patologia o software calcula automaticamente a dose (2). O médico então preenche o campo com a dose desejada fazendo ajustes (3) o que não foi necessário no exemplo abaixo. Depois é só escolher a duração do tratamento e imprimir.

X Workshop de Informática Médica – WIM’2010

12 de janeiro de 2010
O X Workshop de Informática Médica (WIM´2010) tem como objetivo reunir, no âmbito da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), pesquisadores, estudantes, professores, empresários e profissionais interessados em Computação aplicada na área da Saúde. O WIM é o evento anual oficial da Comissão Especial de Computação Aplicada em Saúde (CE-CAS) da SBC.

O WIM´2010 será realizado como parte dos eventos do XXX Congresso da Sociedade Brasileira de Computação (CSBC), programado para ocorrer em Belo Horizonte, Minas Gerais, de 20 a 23 de julho de 2010. Neste ano o grande tema do Congresso é “Computação Verde: Desafios Científicos e Tecnológicos”. Nesse sentido, pode-se pensar, propor e experimentar pesquisas sobre as relações entre saúde, natureza e computação, enfim, aplicar a computação na área da saúde sem agredir o meio ambiente.

Algumas vezes, a computação pode ser vista como uma solução para a sustentabilidade do meio ambiente. As inovações tecnológicas para o armazenamento de imagens, por exemplo, colaboram com a diminuição de resíduos nocivos ao meio ambiente.

As atividades no WIM compreendem apresentação de artigos completos (trabalhos com resultados efetivos) e artigos resumidos (trabalhos em andamento), além de palestras convidadas e mesas-redondas. Durante o WIM ocorre também a reunião da Plenária da Comissão Especial de Computação Aplicada a Saúde (CE-CAS), momento em que os membros da comunidade podem opinar, sugerir e participar das atividades e discussões da Comissão Especial de Computação Aplicada a Saúde (CE-CAS), contribuindo com o crescimento desta área de pesquisa no país.

Chamada de Trabalhos

Convidamos autores da área a submeter artigos técnicos sobre pesquisa relacionada à Computação Aplicada à Saúde e/ou Informática Médica. A lista não exaustiva de tópicos de interesse associados às áreas de saúde inclui:

  • Processamento de Imagens e Sinais
  • Realidade Virtual Aplicada a Saúde
  • Bioinformática
  • Telemedicina e Telessaúde
  • Sistemas de Informação em Saúde e PACS
  • Registro Eletrônico do Paciente
  • Sistemas de Apoio a Decisão em Saúde
  • Inteligência Artificial Aplicada a Saúde
  • Qualidade do Software Médico
  • Engenharia de Software aplicada a Saúde
  • Ontologias em Saúde
  • Computação Aplicada a Educação em Saúde
Os artigos são julgados por uma comissão formada por profissionais, pesquisadores e professores envolvidos com as áreas mencionadas. São aceitas submissões de dois tipos de trabalhos:

– Artigo Completo – trabalhos concluídos sobre pesquisas realizadas em um dos tópicos de interesse ou em outros tópicos relacionados a aplicações computacionais nas áreas da saúde. Esses trabalhos terão umlimite de até 10 páginas;
– Artigo Resumido – trabalhos ainda não concluídos, mas já com idéias relevantes a serem discutidas e resultados preliminares. Esses trabalhos terão um limite de até 4 páginas.

Deve ser utilizado o formato definido pela SBC – Sociedade Brasileira de Computação (http://www.sbc.org.br/template).Porém, os artigos submetidos devem ser ANÔNIMOS, não contendo nomes, endereços, referências, ou outras informações que possam identificar seus autores. Todos os artigos devem estar no formato PDF e poderão ser submetidos em português, espanhol ou inglês.

O WIM’2010 vai premiar o melhor artigo em cada uma das categorias: Artigo Completo e Artigo Resumido.

Prazos Importantes:
Prazo final para a submissão de artigos: 8 de março de 2010
Notificação de aceitação: 19 de abril de 2010
Entrega da versão final: 17 de maio de 2010

A submissão será realizada através do sistema JEMS: http://submissoes.sbc.org.br
Organização:
Márcia Ito (LaPCiS/POS-CEETEPS) (Coordenadora Geral)
Alessandra A. Macedo (FFCLRP/USP) (Coordenadora do Comitê de Programa)
Steering Committee
Alessandra Alaniz Macedo – FFCLRP/USP
Artur Ziviani – LNCC
Claudio Giulliano Alves da Costa – SBIS
Fátima L. S. Nunes – EACH-USP
Lourdes Mattos Brasil – UCB
Márcia Ito – LaPCiS/POS-CEETEPS
Rosa Maria E. Moreira da Costa – UERJ
Saulo Bortolon – UFES

Comitê de Programa
(em formação)

Outras informações podem ser solicitadas no contato:
winfomedica2010@gmail.com
Fonte: Prof.Dr. Renato M.E. Sabbatini
Email do editor: rsabbatini@yahoo.com
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