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Ferramenta de Sumário no Prontuário Eletrônico

21 de março de 2010

Fábio Castro

Uma das funções do Prontuário Eletrônico é apoiar o acesso aos dados clínicos com ferramentas para mostrar uma visão integrada dos dados do paciente. O acesso inadequado as informações clínicas é uma das principais barreiras que os médicos encontram quando tentam aumentar sua eficiência na prática diária. Uma parte importante do apoio a decisão clínica é ter as informações chaves que o médico precisa.

Um prontuário manual que sofre de “obesidade” torna difícil o acesso as informações necessárias. O problema é complicado com a falta de organização na cronologia dos dados e na dificuldade de entender a letra de outros profissionais.

O Prontuário Eletrônico é um meio de facilitar o acesso as informações clínicas e permite ter todas as informações mais importantes disponibilizadas facilmente com uma ferramenta chamada Sumário. Nele estão todas as informações relevantes disponíveis em uma olhada rápida como os problemas médicos ativos, medicação em uso, exames alterados, alergias, lembretes para cuidados preventivos e outras informações importantes para tomada de decisão. É mais detalhado que a lista de problemas do POP/RMOP e menos detalhado que os sumários de cada módulo de diagnósticos, medicações, tratamentos, exames laboratoriais, etc.

O Sumário pode ter outros nomes como histórico ou folha de rosto, mas todos têm o objetivo de gerenciar informações.

Os outros módulos do Prontuário Eletrônico também podem ter dados mais detalhados com o sumário clínico, laboratório, prescrição, atestados, encaminhamentos etc.

O sumário deve ter a capacidade de ser customizado pois alguns profissionais tem preferência por muitos dados ao mesmo tempo, ou mais resumida ou dados separados.

O sumário pode ser atualizado automaticamente em cada consulta o que é difícil de ser realizado em um prontuário em papel. Preferencialmente os dados devem ser disponibilizados automaticamente com dados oriundos de outros módulos. Para a automação é necessária a entrada de dados estruturados nos outros módulos do prontuário eletrônico. A entrada de dados manual é opcional.

Idealmente o sumário deve ter todos os dados mostrados em uma tela única, mas alguns profissionais podem preferir ver os dados separadamente. Na Interface Gráfica abaixo é possível ver os dados agrupados na mesma tela (clique na imagem para aumentar de tamanho).

O sumário, como as outras ferramentas do Prontuário Eletrônico, ajudam no processo de territorialização, quando o profissional tem que conhecer todos os pacientes da sua área de abrangência o que é uma tarefa bem demorada. Uma boa representação de dados ajuda na memória, agrupando os dados de uma forma mais prática.

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Artigo sobre o “National ePrescribing Patient Safety Initiative (NEPSI)”

10 de março de 2010

O  blog do Núcleo de Telemedicina e Telessaúde tem um artigo muito interessante sobre prescrição eletrônica que transcrevo abaixo.  O governo americano está subsidiando o uso de programas de prescrição eletrônica e interação medicamentosa, no caso o NEPSI, o que demonstra que é necessário um incentivo pois estes programas caros para serem desenvolvidos e comercializados. Abaixo está o artigo:

Erros na prescrição de medicamentos são comuns e causam um número significativo de efeitos adversos para os pacientes, como já demonstrado por diversos estudos. Nos Estados Unidos, uma iniciativa que vem tomando corpo é a National ePrescribing Patient Safety Initiative (NEPSI), um projeto conjunto de diversas organizações da área de saúde, com o objetivo de resolver a crise atual dos erros de prescrição medicamentosa. Uma das medidas defendidas pela NEPSI é a adoção ampla e universal de sistemas de prescrição eletrônica, visando combater aqueles erros potencialmente preveníveis que ocorrem durante o processo de prescrição. A (ambiciosa) meta da NEPSI é fazer com que TODOS os médicos dos Estados Unidos obtenham (e utilizem) a um software de prescrição gratuito e de qualidade.

A prescrição eletrônica é uma ferramenta cada vez mais utilizada nos serviços de saúde de vários níveis de complexidade, que apresenta várias vantagens. Um exemplo é a elminação das prescrições ilegíveis – a famosa “letra de médico”, que gera tanta dor de cabeça aos profissionais da enfermagem e da farmácia. Além disso, o uso de sistemas informatizados de prescrição de medicamentos, se associado a bancos de dados e calculadoras específicas, possibilita que o médico receba instantaneamente avisos úteis sobre interações medicamentosas, ajustes de dose na insuficiência renal, dosagens pediátricas etc., permitindo maior segurança ao paciente.

No entanto, os softwares existentes ainda têm suas limitações, e podem inclusive gerar novas categorias de erros, inexistentes nas prescrições feitas manualmente, razão pela qual ainda precisam de alguns melhoramentos para que possam efetivamente aumentar a segurança dos pacientes.

A página da NEPSI na internet permite o download grátis de um software de prescrição, mediante o preenchimento de um cadastro online pelo próprio profissional de saúde.

Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) aprova criação de prontuário eletrônico

7 de março de 2010

O Blog Tecnologia da Informação e Medicina citou um artigo sobre uma discussão no Senado sobre a informatização do SUS que inclui o uso do Prontuário Eletrônico acessado pela Internet e o cadastro único dos pacientes.

Link da matéria original

COMISSÕES / Informática 03/03/2010 – 11h43 CCT aprova criação de prontuário eletrônico Os usuários de serviços de saúde de todo o país passarão a contar com um prontuário eletrônico, segundo determina o Projeto de Lei do Senado 474/08, de autoria da então senadora Roseana Sarney, que recebeu nesta quarta-feira (3) parecer favorável da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). O projeto será ainda apreciado, em decisão terminativa, pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

O projeto modifica a Lei 8.080/90, que regulamenta o Sistema Único de Saúde (SUS), para incluir um novo título, referente à informatização de todo o sistema. Segundo o projeto, será criado um cadastro único nacional de usuários, de profissionais de saúde e de unidades de saúde, que abrangerá todos os cidadãos brasileiros, todos os profissionais do setor que atuem no país e os serviços de saúde públicos e privados. Cada cadastrado terá um número nacional de identificação.

Ainda de acordo com o projeto, o SUS desenvolverá e certificará, diretamente ou por meio de terceiros, um sistema de prontuário eletrônico do paciente, que deverá estar acessível ininterruptamente pela internet. O prontuário deverá ainda ser protegido por meio de sistema de criptografia e de segurança de acesso, para assegurar a privacidade e a confidencialidade das informações sobre a saúde dos usuários.

– Estamos aprovando a portabilidade do prontuário – celebrou o relator do projeto na CCT, senador Wellington Salgado (PMDB-MG). Ele observou que o novo prontuário eletrônico permitirá imediatamente a um médico obter o histórico do paciente que estiver à sua frente, mesmo que o veja pela primeira vez.

O projeto foi unanimemente aprovado pela comissão. Ao elogiar a proposta, o senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) lembrou que os usuários de serviços de saúde sabem “como é importante resgatar a história do paciente”.

O senador Cícero Lucena (PSDB-PB) recorreu à sua experiência como prefeito de João Pessoa para ressaltar a importância da informatização dos serviços de saúde. Durante sua gestão, relatou, cada um dos 900 agentes de saúde da prefeitura contava com um palmtop (pequeno computador de mão), por meio do qual alimentava com informações o prontuário de cada beneficiado pelo programa de saúde da família.

O senador Papaléo Paes (PSDB-AP) também mencionou sua experiência como secretário de Saúde do Amapá para elogiar a criação do prontuário eletrônico. Em sua opinião, a medida facilitará o trabalho dos médicos e permitirá um atendimento melhor aos pacientes, mesmo que estes se encontrem fora dos lugares onde moram.

– O paciente se sentirá mais seguro em qualquer lugar do país – previu Papaléo.

O presidente da comissão, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), defendeu a ampliação dos serviços de saúde a distância, especialmente nas áreas mais remotas e menos favorecidas do país. Por meio das tecnologias de informação, observou o senador, um médico generalista do interior pode contar com o apoio de um especialista localizado em um grande centro, para auxiliá-lo no diagnóstico e no tratamento de seus pacientes.

Audiências

A CCT aprovou também requerimento do senador Renato Casagrande (PSB-ES), que solicita a participação da comissão em uma audiência pública conjunta a respeito do Programa Nacional dos Direitos Humanos. Para essa audiência, foi convidado o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Foi igualmente aprovado requerimento dos senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Roberto Cavalcanti, para incluir a participação do ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, em audiência pública sobre o Programa Nacional de Banda Larga, prevista para a próxima semana.

Marcos Magalhães / Agência Senado

Prontuário Eletrônico – Teoria e Prática II

2 de março de 2010

Fábio Castro

No fim de janeiro, em um post sobre o prontuário P2D, mostrei que não é fácil criar um Prontuário Eletrônico específico para um profissional atuando no PSF. Informei os desenvolvedores do P2D sobre o post e neste período mantive contato com os mesmos por e-mail.

Recentemente me mandaram umas screenshot com as mudanças que fizeram no programa baseados nas críticas que fiz. Esse era até um dos objetivos do post. As melhorias foram até melhores do que eu esperava e com recursos bem interessantes. No P2D, para usar modelos receitas prontas era necessário arrastar para o campo prescrição o que não é uma operação intuitiva como dar dois cliques. Agora adicionaram mais recursos com os dois cliques, arquivo de ajuda, tecla de atalho e um novo sistema de busca. Clique na imagem abaixo para dar uma olhada nas novas mudanças no módulo de prescrição.

Mas o que mais me chamou a atenção foi o tempo de respostas entre a crítica e as mudanças. O primeiro Prontuário Eletrônico que usei (CONDIN – Consultório Dinâmico) também estava em desenvolvimento e as sugestões que eu dava eram logo implementadas. No inicio eu tinha um certo desconforto em criticar, mas responsável gostava e muito. Para quem faz o software parece ter tudo uma lógica simples, mas para quem usa sem ter treinamento prévio não parece tão óbvio.

Trabalhando no serviço público, com um Prontuário Eletrônico de propriedade também público, as mudanças são superlentas. A equipe responsável é pequena, com poucos recursos, com outros trabalhos adicionais, burocracias etc. É um fator que faltou ser analisado – a capacidade da equipe de desenvolvedores de atualizar o sistema.

Quando me mandam e-mails perguntando sobre um bom Prontuário Eletrônico para usar no PSF eu não sei indicar nenhum que seja realmente adequado. É bom lembrar que não existe Prontuário Eletrônico pronto e sim um projeto que nunca para. Em um software comercial existe o interesse em melhorar o produto para garantir o sucesso no mercado.

Na minha experiência com Prontuário Eletrônico percebei que o que funciona bem é uma maravilha, mas se não funciona é um terror. Saber que o terror irá durar pouco é um bom requisito para julgar um Prontuário Eletrônico. O que mais gostei é saber que, por pior que seja o prontuário que eu esteja adquirindo, sei que no final vou ter o que quero e bem rápido. Se antes eu não queria mudar, agora sei que no final ficaria no lucro com o P2D.

Então temos um novo requisito para julgar um Prontuário Eletrônico – a qualidade da equipe de desenvolvimento e o seu interesse em melhorar o produto conforme o interesse dos clientes. Neste caso o P2D está com nota 10.

Quando comecei a usar meu Prontuário Eletrônico atual em poucos meses eu tinha um arquivo do powerpoint com uns 40 slides onde anotei mudanças que queria para melhorar o funcionamento do sistemas. Eram coisas até simples como uma tecla de atalho para navegar rápido na lista de medicação (por exemplo, clico na tecla “P” e aparece a lista de medicamentos iniciando em “P”). Já se passaram vários anos e continua a mesma coisa.

Então temos que levantar a questão de Prontuário Eletrônico de domínio público versus um comercial. O Ministério da Saúde está desenvolvendo o GIL (Gestor de Informações Locais) de uso gratuito. Será que irá responder rápido a mudanças? ou um competição de mercado traria resultados mais positivos que negativos (falta de padronização, mudanças de fornecedor,etc ).