Raio-X no Prontuário Eletrônico


Fábio Castro

Durante um atendimento de um paciente me foi relatado que o Raio-x de tórax não foi avaliado por outro médicos pois o exame estava em um CD. Eu prontamente me interessei em ver o CD e me desloquei para a sala da administração onde eu sabia que tinha um computador. Coloquei o CD e o programa funcionou automaticamente. Salvei os dados no pendrive e abaixo está uma amostra da imagem. A imagem mostra também algumas ferramentas como o zoom (a esquerda) e a régua (a direita) – clique na imagem para aumentar de tamanho.


O que me chamou a atenção foi o fato do outro médico não ter visualizado o exame. O paciente relatou que foi devido a falta de um computador, mas em um consultório particular costuma ter um PC na recepção. Outro motivo da imagem não ter sido visualizada pode ser a tecnofobia ou a dificuldade de lidar com novas tecnologias.

Em outra ocasião eu fui testar um software de ECG instalado no meu Centro de Saúde. Na primeira tentativa percebi que eram bem intuitivo e usava facilmente as ferramentas de zoom, fazendo medições, recortando pedaços, etc. O Enfermeiro que foi treinado no software começou a me perguntar o que eu estava fazendo, mas apenas sabia o que tinha que procurar.

Uma experiência mais recente foi comigo mesmo tirando um Raio-X do dente. O técnico colocou as pequenas radiografias em uma máquina que escaneava as imagens para depois serem imprensas. Os arquivos não eram enviados para o dentista e sim a imagem impressa. O software era usado apenas para saber se a imagem estava bem feita.

DICOM

A extensão dos arquivos no CD citado anteriormente estavam no padrão usado DICOM – Digital Imaging and Communications in Medicine – que é o formato usado para transferir e armazenar imagens médicas. O padrão DICOM também é usado para Tomografia Computadorizada, Ressonância Nuclear Magnética, Ultrassonografia, Medicina Nuclear, Cardiologia Digital, Endoscopia e Angiografia. O padrão inclui o uso de outros dados como dados demográficos, laudos e agendamento. O padrão DICOM iniciou o uso na Tomografia Computadorizada e passou a ser usado para outros meios. O Ultra-som pode ser gravado em vídeo cassete para ser visualizado pelo paciente.

O uso do padrão DICOM não é só na Radiologia mas também na Patologia, Dermatologia, Oftalmologia, Gastroenterologia, Cardiologia, Cirurgia (minimamente invasiva) e Obstetrícia, que geralmente usam muito processamento de imagem. O uso maior é na Radiologia e na Patologia.

Integração com o Prontuário Eletrônico

Uma dificuldade na integração de arquivos de imagem no Prontuário Eletrônico está relacionada com o tamanho dos arquivos. Os dois arquivos DCM da imagem acima tinham tamanho de 4,5 MB cada. Para baixar na internet demoraria vários minutos, ou até dezenas de minutos dependendo da velocidade de conexão. A capacidade de baixar o arquivo antes da consulta e armazenar seria uma solução parcial pois com o passar do tempo o PC pode ficar sem espaço. Uma solução simples é só liberar os laudos dos exames sem alterações e sem a imagem anexada. Os exames alterados teriam a imagem pois nem sempre a descrição textual é capaz de substituir a informação presente na própria imagem.

Outro exame que guardei foi de uma angiografia. Já é difícil ver uma no PSF quanto mais o vídeo. O tamanho dos arquivos era bem maior que os do Raio-X com cada um dois quatro arquivos tendo 16 MB.

Os exames de imagem só são úteis se forem acessados por aplicativos que as tornam visíveis. Para uso clinico as imagens devem estar integradas com os seus dados relacionados, como o dia que foi pedido o exame e o nome do paciente. Devem estar disponíveis para interpretação por radiologistas e clínicos. Também devem ser mostradas ao paciente. Os recursos de imagem médica são usados não só para diagnostico, mas também para comunicação, educação e pesquisa. O campo que trabalha com a imagem é a Informática de Imagem Biomédica

Enquanto o DICOM è o padrão para armazenar e transmitir imagens, os Sistemas de Informação de Imagem, as vezes denominado Sistema de Informação Radiológico (RIS – Radiology Information System), são compostos por um banco de dados de imagem, agendamento de exames, registro de pacientes, desempenho dos examinadores, revisão e análise dos radiologia, criação de interpretação e laudos, transmissão dos laudos, distribuição dos laudos e pagamento. O RIS pode funcionar sozinho ou integrado no Prontuário Eletrônico.

Uma resposta to “Raio-X no Prontuário Eletrônico”

  1. Déborah Proença Says:

    Prezado Fábio, sou jornalista da Revista Brasileira de Saúde da Família, do Departamento de Atenção Básica (Ministério da Saúde) e gostaria de conversar com você sobre o seu blog. Não encontrei nenhuma referência a contatos por isso envio esse comentário para que entre em contato comigo. Meus telefones são (61) 3315-2135 / 3315-2669 e meus e-mails são: deborahproenca@gmail.com / deborah.rosa@saude.gov.br.
    Aguardo contato urgente. Grata.

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