Continuidade do Cuidado com padrão DICOM


Fábio Castro

Existem três tipos de padrões de dados e segurança:- conteúdo, interoperabilidade e vocabulário. O que interessa para o médico é poder ver os prontuários anteriores do paciente, mas o problema é que, no caso do Prontuário Eletrônico, é raro existir algum tipo de interoperabilidade.

Uma iniciativa para resolver a questão da interoperabilidade é o CCR – Continuity-of-Care Record. O CCR é um padrão de comunicação eletrônica entre os desenvolvedores de PEP. O objetivo é permitir que o médico, usando um PEP, possa ter uma visada rápida de informações do paciente para entender o contexto do paciente rapidamente, e não uma visão completa dos dados.

O CCR consiste basicamente em resumir os dados mais relevantes do paciente de forma organizada e fácil de “transportar”. O resumo do caso é feito no fim da consulta pelo médico para que outros médicos tenham acesso as informações. Pode estar disponível em papel ou eletronicamente com o padrão XML. O foco são as informações relevantes que o profissional escolhe. O CCR não tem como objetivo criar um prontuário completo, de acesso universal e não tem identificador universal do paciente.

Uma sugestão para um CCR simples para ser usado no PSF pode ser usar o padrão DICOM dos sistemas de imagem. A idéia é basicamente permitir que o PEP tenha capacidade de criar uma imagem (foto) do prontuário, semelhante ao que seria impresso, e que possa estar disponível pela Internet para todo médico que queira visualizar as consultas anteriores dos seus pacientes. O PEP em si não consegue extrair dado nenhum da imagem, não tendo interoperabilidade de conteúdo, mas para o médico visualizar não seria um problema. O conceito nem considera o uso de reconhecimento ótico de caracteres (OCR – Optical Character Recognition) para evitar problemas.

A imagem abaixo são dois “preview” de prontuários que serão impressos. Para o PEP não é possível extrair dados de uma imagem semelhante, mas para o médico é uma questão irrelevante. Um CCR de imagem seria o equivalente ao paciente levar seu prontuário em papel em todas as consultas, mas no caso da “imagem” o médico faria uma busca das imagens das consultas anteriores. Clique na imagem para aumentar o tamanho.

Com um CCR de imagem a interoperabilidade é facilitada, aproveitando a capacidade de ler exames de imagem, podendo perder capacidades em outras áreas como pesquisa, produção, dados epidemiológicos etc, mas estas informações podem ser criadas durante a criação da “imagem” do prontuário ou seria uma capacidade disponível com outros módulos.

Uma questão é encontrar os dados. O protocolo para salvar e transmitir as imagens já existe (DICOM). O padrão DICOM inclui dados do paciente como nome, sexo, data de nascimento etc. O Cartão Nacional de Saúde é o identificador padronizado pelo governo, mas nem toda a população tem um. Então poderia ser usado outros dados disponíveis no Cartão Nacional de Saúde como a Identidade e o CPF. A disponibilidade de uma foto do paciente no CCR de imagem, mesmo que de má qualidade, irá ajudar a filtrar possíveis erros. Durante o atendimento o Prontuário Eletrônico pode fazer uma busca automática para ver se o paciente consultou em outro lugar, com prontuário eletrônico, ou o médico faz a pergunta ao paciente para iniciar a busca, ou o paciente informa.

Os arquivos de CCR de imagem são fáceis de identificar pelo pois os exames de imagem, que precisam de grande definição e consequentemente um arquivo de grande tamanho, enquanto um CCR de imagem que é bem pequeno e de baixa definição.

Outra questão é se a imagem é do prontuário ou de outras informações como lista de problemas, tabela de exames, lista de medicamentos, história vacinal, sumários, resumos, relatórios estatísticos etc. Neste caso o CCR de imagem vai além de uma visada rápida como previsto anteriormente. A criação do CCR de imagem então pode ser automática ou pelo profissional criando outros modos de visualização dos dados.

Outra questão é a transferência dos dados para o Prontuário Eletrônico. Os arquivos do CCR de imagem pode ser usados só para leitura dos dados de forma não estruturada ou o médico pode entrar os dados de forma estruturada. O software deve ser capaz de mostrar os arquivos do CCR junto com campos para transferir os dados facilmente, como lista de problemas, sumários, tabelas de exame, medicação etc.

Na imagem anterior o software para leitura dos CCR de imagem está integrado no Prontuário Eletrônico, mas poderia ser também um software dedicado sem interação com o Prontuário Eletrônico. A interface lembra um “fotolog”.

Um lado negativo do conceito de CCR de imagem é a perda de tempo para entrar os dados o que seria facilitado com uma padronização e interoperabilidade de dados entre os Prontuários Eletrônicos, mas é exatamente o que não existe. Outra questão é o tamanho dos arquivos que serão bem maiores do que um arquivo de dados como o XML, mas também não é um problema para a tecnologia atual em termos de capacidade de armazenamento ou custo. Por questões de segurança os arquivos devem ser encriptados para evitar o acesso indevido com uma simples pesquisa na internet.

3 Respostas to “Continuidade do Cuidado com padrão DICOM”

  1. Leandra Carneiro Says:

    A interoperabilidade de dados do prontuário do paciente é uma questão que me frusta muito ainda. Eu achei que o Google Health e o Microsoft HealthVault poderia ser a solução, mas no Brasil isso ainda nem é visto como uma possibilidade ainda.
    Eu penso que há outro problema nessa questão. Há um artigo muito bom que fala da identidade federada na Suécia, se não me engano, onde os pacientes autorizariam o acesso a seus dados em cada etapa (recepcionista, médico, fisioterapeuta, etc) com base na biometria.
    O acesso de pessoas não autorizadas aos dados de prontuários médicos, ainda é uma questão que causa preocupação.

    Em tempo: acho seu blog fantástico!

  2. Leonardo Alves Says:

    Muito interessante o seu posicionamento. Gosto dos seus posts.

  3. Leandra Carneiro Says:

    ando sentindo falta das atualizações do blog😦

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