O Especialista em Informática Médica


Fábio Castro

A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) está planejando a realização da primeira prova de Título de Especialista em Informática em Saúde (Certificação Profissional). A matéria da prova está no Programa da Prova de Conhecimento para Título de Especialista em Informática em Saúde (clique aqui para ver o programa) é bem aterrorizante para maioria dos médicos, assim como alguns itens devem ser aterrorizantes para quem trabalha na área de Tecnologia de Informação. O Título não é aceito pelo Conselho Federal de Medicina por ser multiprofissional podendo ser realizado por qualquer profissional da área de informática ou saúde. Eu uso o termo Informática Médica por entender e considerar apenas do ponto de vista médico. O curso superior de bioinformática também forma profissionais para trabalhar nas áreas biológicas como genoma.

A Informática em Saúde não é uma especialidade simples. Tem características que permitem que seja considerada como um campo de estudo próprio. A Informática Médica é a ciência ou campo da ciência relacionada com analise e disseminação de dados médicos através da aplicação das tecnologias de informação a vários aspectos da saúde e medicina. O Medinfo 2009 (1) cita que a Informática Médica é um campo da ciência complexa que integra teorias, metodologias de projeto e conhecimentos relevantes para garantir a “melhor prática” em vários domínios da cognição, computação, informação, organizacional e outros conhecimentos especializados quando aplicados sinergicamente para coletar, armazenar, organizar, manipular, usar e disseminar informações com bases clínicas e saúde.

Na prática o que um especialista em Informática Médica faz é ligar o conhecimento dos profissionais da Tecnologia da Informação com os da área Médica/Saúde. Os especialistas de Tecnologia de Informação geralmente reconhecem que não entendem nada de medicina e vice-versa. Na maioria dos projetos o que se faz é juntar os dois especialistas das duas áreas com o resultado não sendo muito bom. O especialista em Informática Médica teria a função de diminui os erros. Os projetos de Tecnologia em Informação em saúde são famosos pelos fracassos, mesmo com esforço para sucesso. A falha chega a 50-80%. Os programas geralmente tem sucesso parcial atingido alguns objetivos até falha geral sendo abandonado pelos profissionais. O projeto pode não levar a mudança na organização, ou surgiram resultados indesejáveis. O projeto pode funcionar em um contexto e falhar se implementado em outro (5).

Massad cita que é fundamental que esteja presente na equipe de desenvolvimento um profissional experiente com formação em informática médica ou irá gerar um produto ineficiente e não atende necessidade reais dos usuários” (2). O Medinfo 2009 também cita que os tentem a não usar o que não foi projetado por médicos sendo também um fator de sucesso para implementação(4).

Giulliano cita que uma equipe para desenvolver o projeto deveria ser liderada por um especialista que tivesse o conhecimento das diversas áreas envolvidas no projeto, informática e saúde principalmente, bem como deve possuir profundos conhecimentos sobre PEP e padronização. Sem esse perfil, o coordenador do projeto pode “pecar” em algum ponto ou deixar de conduzir o processo de forma a atingir os seus objetivos, ou mesmo, construir um sistema que não seja adequado a realidade dos usuários. Apesar disso, somente uma minoria dos projetos, 14,3%, são coordenados por um especialista em Informática Médica, profissional ideal para conduzir um projeto de PEP, visto que possui as qualidades comentadas acima. Talvez isso se deva ao fato do número restrito de profissionais especializados nesta área ou por ser a Informática Médica ainda muito jovem e, principalmente, pouco conhecida, tanto por profissionais de saúde como pelos informatas. Giulliano também cita que em uma pesquisa com uma equipe de desenvolvimento tem em média 16 pessoas (3). 

A minha experiência prática é na fase de teste de um projeto, como um Prontuário Eletrônico, é onde seria importante a presença de um médico com formação em Informática Médica pois, por questões éticas, um outro profissional teria limitação a uma consulta com o paciente, é que seria importante pois o médico não teria limitações.

No meu primeiro post no Blog (clique aqui para ir para o post) eu citei um exemplo simples de como um profissional preparado pode fazer muita diferença. No caso era o exemplo do módulo de atestado mostrando que o programa era até mais demorado que o preenchimento escrito, mas que podia ser aperfeiçoado para funcionar com apenas um clique do mouse e ainda com potencial para resolver outros problemas da prática médica. Na minha experiência e conversas com outros profissionais médicos as opiniões sobre um novo programa são bem simples como “legal”, “não gostei”, “não entendi” etc. A maioria não tem muito senso crítico para fazer comentários construtivos. 

Bibliografia

1- MEDINFO 2009 – Medical Informatics: Concepts, Methodologies, Tools, and Applications – Joseph Tan

2 – O prontuário eletrônico do paciente na assistência, informação e conhecimento médico / Editores Eduardo Massad. 2003.

3 – Desenvolvimento e Avaliação Tecnológica de um Sistema de Prontuário Eletrônico do Paciente, Baseado nos Paradigmas da World Wide Web e da Engenharia de Software  Autor: Claudio Giulliano Alves da Costa

4 – MEDINFO 2009 – Chapter 1.22 – Key Performance Indicators and Information Flow: The Cornerstones of Effective Knowledge Management for Managed Care  medical informatics

5- MEDINFO 2007 – Change Management and the Sustainability of Health ICT Projects

4 Respostas to “O Especialista em Informática Médica”

  1. Leonardo Alves Says:

    A idéia é boa, e a prova motivará o estudo do tema.
    Acho mais fácil um médico se tornar especialista, pois ele já tem acesso e prática em consultas médicas, diferente do profissional de informática (que não faz atendimentos médicos).

    Assim, médicos levam uma vantagem, mas precisam gostar de informática e estudar sobre o tema.

    Mas entendo que o mais importante em um prontuário médico é a USABILIDADE… pois é o entrave para a entrada dos dados em um prontuário médico. A interação Humano-Máquina ainda é um entrave.

    Médico (no geral) escreve mal e digita pior ainda… assim, ferramentas adequadas para esta finalidade, como o apoio á digitação, são importantíssimos em qualquer prontuário eletrônico.

    O RMOP (já discutido neste blog) é uma excelente forma de entrada de dados – estruturados http://www.slideshare.net/LeonardoAlves/meu-pronturio-o-prontuario-medico-orientado-por-problemas

    Abraço e parabéns.

    Leonardo.

  2. Gustavo Landsberg Says:

    Está em cima da hora, Fábio, mas acho que vale a pena divulgar o XII Congresso Brasileiro de Informática em Saúde.
    http://www.itarget.com.br/newclients/cbis2010.com.br/2009/
    Um abraço!

  3. Dr Paulo Freire Says:

    Sou médico e trabalho com informática médica há algum tempo. Minha formação é medicina e engenharia biomédica, área de automação médica. Desenvolvo com outro médico o Portal Saúde Direta (www.saudedireta.com.br) que é uma plataforma de serviços aos médicos. Considero muitos PEP existentes como excelentes, porém pecam em não agregar valor ao ato médico. FGazem identificação, registro e liberação de papel impresso como os caixas eletrônicos bancários, ambos com rapidez, segurança e confiabilidade. Um PEP, para ser utilizado por um médico deve agregar funções práticas, resolutivas, que apoiem a decisão médica no diagnóstico e conduta. O nosso prontuário tem ferramentas de auxílio prescricional on line, com BD de medicamentos e BD de interações medicamentosas integrados. Utiliza padrões internacionais de nomenclatura médica e demais padrões nacionais. É rápido, totalmente web, extremamente minimalista e funcional. Não adianta ser bonito, mas atrapalhar a dinâmica da consulta médica. Sou médico e como médico não tenho tempo a perder com firulas do sistema PEP.

    Solicito aos colegas conhecerem o Portal Saúde Direta e me enviarem sugestões e comentários. É um PEP apenas para médicos, mas o Portal tem informações também para todos os profissionais de saúde (Diretrizes, protocolos e algoritmos de tratamento).

    Portal Saúde Direta
    https://www.saudedireta.com.br

  4. Alexandre Kraemer Says:

    Experimentem acessar o registro eletrônico de saúde para a atenção integral (RESAI) em

    http://www.resai.com.br.

    É um sistema minimalista específico para a atenção médica integrada com todas as áreas da saúde e é o único sistema web até o momento que faz 100% de uso dos certificados digitais, permitindo assim a eliminação total do papel com amparo legal consistente.

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