O Smartphone do IBGE


Fábio Castro

Durante a coleta de dados do Censo Demográfico 2010, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) usou 150 mil dispositivos portáteis do smartphone modelo LG Sm@rt GM750. Cada unidade custou R$ 600 num contrato de R$ 90 milhões. Os aparelhos foram customizados para essa função. O sistema operacional é o Windows Mobile 6.5 além de ter conectividade Wi-Fi e sistema A-GPS. O acesso a Internet, SMS e telefonia foram bloqueados na fábrica. Foram instalados o aplicado para o Censo 2010 e o desenvolvimento de uma capa emborrachada, para aumentar a resistência a eventuais quedas durante o uso.

Depois que o formulário é preenchido, os dados são criptografados e salvos no smartphone. Uma vez por semana, o recenseador vai com seu dispositivo para uma das 7.000 centrais de dados, onde os aparelhos são sincronizados e os dados enviados pela internet, por uma VPN do IBGE.

O IBGE já usa 70 mil PDAs MIO 550B que junto com os novos smartphone serão usados pelos 190 mil recenseadores. O MIO foi desenvolvido para o Censo 2007 e foi extendida para o Censo Agropecuário, onde os dados serão inseridos no dispositivo que também contará com GPS para a realização do mapeamento rural. Apesar de mais pesado e trambolhudo, o MIO tem uma melhor usabilidade por ter uma tela bem maior. A capa de revestimento azul, padronizada, tem essa cor forte para evitar perdas. Sua superfície emborrachada e com ondulações laterais visa proporcionar boa empunhadura. O MIO tem ainda um segundo revestimento, interno, de borracha, com o intuito de vedar o aparelho e deixá-lo impermeável. E por fim, a canetinha stylus é presa ao aparelho por uma cordinha de nylon. Em 2007, graças à eliminação do papel, a contagem, tabulação e divulgação dos dados foi muito mais rápida. Com formulários escritos levava-se de 3 a 5 anos para fazer todo esse gigantesco trabalho.

A opção pelos smartphones foi feita em 2009 após um teste realizado com netbooks que foram reprovados. Eram leves, mas ficavam “pesados” ao longo do dia e devido ao reflexo na tela. Os netbooks atraíam mais a atenção de ladrões: em uma semana, durante os testes, cinco computadores foram roubados. Neste ano, dos 220 mil computadores de mão que estão nas ruas, o IBGE registrou extravio ou roubo de cerca de 100, o que é considerado pelo instituto uma taxa pequena.

Foi estudado o uso de PDA, mas logo os Smartphones entraram na lista. A tela do Smartphone foi considerada pequena, mas o iPad não estava disponível na época sendo que pode ser uma opção no futuro. O treinamento foi fácil devido a similaridade com o uso de um celular.

Os trabalhos devem terminar em 30 de outubro e o IBGE já está negociando como MEC para o uso dos aparelhos em projetos de inclusão digital como uso por alunos de escolas públicas com a instalação de aplicativos educacionais. Os computadores usados nos postos que fazem a coleta dos dados do censo também deverão ser encaminhados a escolas públicas. Também está sendo estudado o uso para a realização de entrevistas de programas de saúde domiciliar depois que a pesquisa acabar.

O Smartphone dos ACS

O trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) é um ótimo candidato para digitalização em dispositivos móveis com o descrito acima. A proteção e as informações sobre o tamanho da tela devem ser consideradas. Algumas cidades já estão usando PDAs para o cadastro das famílias. Agora o IBGE se torna uma boa fonte do hardware visto que os aparelhos serão doados. Idealmente o software deveria conversar com o Prontuário Eletrônico, mas seu uso ainda está engatinhando. O trabalho dos ACS e o dos recenseadores tem muito em comum com um podendo aproveitar as informações colhidas pelo outro, para planejar, executar e conferir.

Um modelo com GPS seria interessante para os ACS para mapear a área. Nem todos precisariam desta funcionalidade. Os ACS usariam apenas no cadastramento inicial. No futuro o custo deve facilitar o acesso.

Está sendo introduzido o uso de protocolos de classificação de risco, como o Manchester, nas equipes do PSF. Só a tela com touchscreen custa quase 3 mil reais. O mesmo trabalho poderia ser feito com um smartphone doado pelo IBGE sem precisar de um PC, impressora, mobiliario e local adequado.

5 Respostas to “O Smartphone do IBGE”

  1. Leonardo Alves Says:

    A idéia de usar PDAs ou IPads para cadastramento das famílias do PSF é excelente. Auxiliará muito o processo. O fato de o dispositivo ser caro impede o processo.

    A vinculação com um prontuário eletrõnico é fundamental, mas a “conversa” que você fala não será entre o dispositivo e o prontuário eletrônico e sim entre o banco de dados do CADSUS (que já permite esta integração/comunicação) e o sistema de prontuário online.

    O dispositivo (PDA) facilitará a entrada dos dados no cadsus… o que já é um grande avanço.

    A importação dos dados do CADSUS é que é importante, para vincular o banco de dados ao prontuário médico (funcionalidade esta, presente no MeuProntuario.net) que será lançado em breve.

    Parabéns pelo post.

  2. Alexandre Kraemer Says:

    Não acho boa idéia usar smartphones para os ACS. O cadastro do ACS, tanto da ficha A quanto das fichas B, é extenso. O uso de netbooks pode não ter funcionado em campo como descrito neste artigo, mas talvez o problema esteja apenas na estratégia. Em Foz do Iguaçu, no Paraná, os agentes comunitários digitam sua produção e o cadastro da ficha A em computadores dos laboratórios de informática das escolas Estaduais. Em campo levam apenas os formulários em papel de forma tradicional. Depois de digitadas as informações, os formulários são arquivados apenas para fins legais até que a comissão de revisão de prontuários defina o destino final do papel.

  3. clovis monson Says:

    Pois é seria uma excelente ideia realmente, o uso destes aparelhos, pois a informatização é necessaria, e o uso das TICS, é hoje uma realidade. Todavia em Foz, os Agentes de Saude são uns escravos do sistema, pois o dignissimo chefe do executivo nada faz para melhorar o trabalho dos mesmos, como dito em “algum lugar” os acs, trabalham duplamente, intra-jornada, desviando suas reais funçoes, ou seja, colhem os dados em uma ficha “a” complementar, e depois se deslocam em Escolas Estaduais para a digitaçao. Realmente uma vergonha e o menosprezo por esses profissionais, e nega-se a fazer o dito trabalho, haja vista que é um desvio de funçao digitar a ficha “A”, note-se que em relato neste mesmo, que sao digitados em escolas estaduais, ou seja: “nao dao a minha condiçao de trabalho, nem espaço tem nas unidades para a digitaçao, sem contar que os ditos PCs são sucateados, nada de ultima geraçao, ressalta-se ainda, que para se implantar um trabalho desse para satisfazer o “ego” e o “bolso” de certas pessoas, seria necessario estudar muito a lei, ou realizar uma consulta juridica junto a procuradoria do municipio, pois os acs são regidos pela CLT, que determina ao empregador as “reais condiçoes de trabalho ao empregado”, portanto sem condiçoes, e o devido desvio de funçao, isso “desvio de funçao” pois os ACS não sao digitadores, fogem muito do seu real trabalho que é a visita domiciliar, na realidade a escravidão nao acabou com a assinatura da dita lei aurea, ao contrario se propaga. Pensem em dar condições, planos de carreira e salario para os ACSs e nao trabalho de desvio de funçao. CADE OS DIGITADORES DO TESTE SELETIVO DE 2007? estão sendo office-boy em alguma secretaria? PAREM E PENSEM! É O QUE ACONTECE, QUANDO DERRUBAM A DEMOCRACIA E INSTALAM A DITADURA! E FALAR NISSO CADE A FESTA PARA OS ACS DE FOZ DO IGUAÇU, FICOU SÓ NA CONVERSINHA HEIN PESSOAL DO SETOR DE INFORMATICA!

  4. Alexandre Kraemer Says:

    Em menos de um ano os ACSs de Foz do Iguaçu digitaram 75.000 cadastros das fichas “A” utilizando de forma híbrida computadores das escolas estaduais e a estrutura física das unidades de saúde, sempre próximo ao local de trabalho e em salas climatizadas e confortáveis, durante o horário de trabalho ou em regime de compensação de horas, com metas bem estabelecidas e factíveis. Os servidores privilegiados que contavam com computadores particulares em casa puderam optar pelo trabalho no conforto do lar. É um resultado satisfatório considerando um total de cobertura de 120.000 pacientes pelo PSF local e a extensão dos formulários que estão sob responsabilidade dos ACS. A estrutura dos laboratórios de informática das escolas estaduais do Paraná é excelente, bem como a das escolas municipais que recentemente foram instaladas. Foz do Iguaçu está de parabéns pela infra-estrutura de TI e é das raras cidades brasileiras que oferece internet a todas as unidades de saúde e escolas municipais e estaduais. O parque de equipamentos das unidades de saúde está sendo ampliado com a aquisição de 140 novas máquinas e Foz do Iguaçu é considerada “case” de sucesso da HP. A informatização dos dados colhidos em campo pelos ACSs abre caminho para uma nova fase na gestão da saúde municipal criando ferramentas que facilitam o trabalho de todos os profissionais de saúde da atenção básica e especializada. Garantem também uma melhor gestão do sistema de saúde pelo gestor local. Parabéns aos ACSs comprometidos com a mudança!

  5. BUFON Says:

    OLÁ SOMOS DO SIAB FÁCIL PRODUTO QUE PERTENCE A PR SISTEMAS, JÁ ESTAMOS DESENVOLVENDO ESSE SERVIÇOS JUNTO AS IRMÃS SANTA MARCELINA, QUER SABER MAIS (11) 2292-5348 BUFON.

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