Archive for dezembro \28\UTC 2010

Test Drive do ALERT – Parte 1

28 de dezembro de 2010

Fábio Castro

Tive a oportunidade de testar o prontuário eletrônico Alert criado por uma empresa Portuguesa. Novamente estou dando a minha opinião como um médico do Programa de Saúde da Família.

O Alert foi criado para hospitais e a equipe de desenvolvimento acredita que ser funcionar bem para um hospital deve funcionar bem em qualquer situação. Esta abordagem está relacionada com o custo de criar vários programas para cada situação como hospital, especialidades, pronto atendimento etc.

Um critério de  julgamento é ser fácil de usar e de aprender a usar. O Alert tem muitas telas, mas todas em uma tela de ajuda o que acaba facilitando. O problema é a demora para entender tudo. Como são muitas telas o teste será bem resumido.

A interface das telas está relacionado com o uso da tecnologia touchscreen. Eu usei só o mouse então não foi possível analisar usando o dedo. A interface usa muitos ícones ao invés de campos nomeados. No começo é estranho mas se acostuma. É só passar o mouse sobre o ícone que mostra o que significa. Senti falta de teclas de atalho provavelmente relacionado com o uso de tela touchscreen (clique na imagem para ampliar).

Cadastro do Paciente

A primeira coisa a se fazer em uma Equipe de Saúde da Família é cadastrar os paciente no processo de territorialização. O trabalho não é só anotar os dados do paciente com nome, data nascimento, nome do pai e mãe, etc. O trabalho também implica em cadastrar as ruas, domicílios, quarteirões, famílias, delimitar a microárea e área de abrangência. Os dados serão necessários para pesquisas estatísticas e levantamento de dados. O processo é até mais complexo tendo que identificar barreiras e recursos existentes como escola e igreja.

Interessa para os membros da equipe saber se o paciente pertence ou não a área. Será um filtro para várias ações desde o agendamento, facilitando a busca do paciente, até na analise de dados estatísticos. Por exemplo, se o protocolo cita que os pacientes diabéticos em uso de insulina tem que consultar pelo menos quatro vezes por ano então eu faço a busca pelos pacientes da área, mostrando as consultas com o médico da equipe e especialistas, ao invés de fazer a busca dos pacientes do médico da equipe que não irá mostrar as consultas com o especialista.

A screen abaixo é do cadastro do endereço. O dado não é estruturado o que dificultará estudos estatísticos. As ruas deveriam ser cadastradas antes do atendimento pelos Agentes Comunitários, ou mesmo durante o cadastramento dos pacientes na unidade com a opção de “novo endereço” ou “novo domicilio” (Clique para aumentar o tamanho).

A interface abaixo é de uma entrada de dados estruturada (Clique para aumentar o tamanho).

Um dado interessante é que eu atendo pacientes de outras áreas que por vários motivos não querem consultar em outra equipe. Então eu atendo pacientes fora de área o que significa que tem que ser considerados também na minha estatística e até de outra equipe.

Durante o atendimento alguns moradores mais antigos do local costumam informar dados da história do local. Então o tempo que o paciente mora no local pode ser um dado interessante. Pode ser fonte para virar um alerta para o médico abordar o paciente sobre esta questão no momento apropriado.

O cadastro também inclui a equipe, local que está instalada ou unidade, e os profissionais da equipe. O Alert tem o cadastro de especialista e local de atendimento (sala).

Agendamento

Depois do cadastramento vem o agendamento para uma consulta. A interface de agenda parece bem completo. É fácil ver os pacientes consultados nos dias anteriores e a serem consultados, quantos serão consultados no dia, quantos falta para serem consultados e outras tarefas agendadas (medicação, exames etc) para outras áreas do serviço.

A lista de espera tem a foto do paciente. Deve ser interessante chegar na sala de esperar, chamar o próximo paciente e já saber quem é pelo rosto. A interface abaixo foi editada e adicionada uma foto para demonstração. Também coloquei o menu para indicar o que foi feito ou será feito (Clique para aumentar o tamanho).

Na interface abaixo está uma interface com calendário. Os campos mostram o número de consultas atendidas e agendadas. No dia 10 está marcado 2/2. A agenda tem a capacidade de reagendar consulta em bloco tendo que registrar que notificou o paciente e o motivo (Clique para aumentar o tamanho).

Cabeçalho

Na parte superior da interface fica o cabeçalho com o nome do paciente, foto do paciente (a direita), foto do profissional atendendo (a esquerda) e outros dados de identificação. O cabeçalho também pode mostrar dados clínicos como historia do paciente, vícios, alergias, grupo sanguíneos, doenças relevantes e anotações. Completei o quadro pois só aparece a legenda se os campos estiverem preenchidos (Clique para aumentar o tamanho).

A presença de dados clínicos no cabeçalho poderia ser facilmente eliminada se o software trabalhasse com uma lista de  problemas que apareceria o tempo todo.

O que senti falta, já citando o cadastro, é a equipe do PSF a que pertence o paciente e o endereço. Existem situações em que é interessante para o trabalho no PSF. Um exemplo é em época de Dengue onde os casos se concentram em algumas regiões e não está disseminada igualmente.

Imprimindo

A ferramenta de impressão fica no canto inferior esquerdo. Toda vez que se imprime alguma coisa é necessário usar a senha. Pode ser uma medida de segurança, mas atrasa o trabalho. Não consegui imprimir nada pois o programa travava. O problema podia estar relacionado como mecanismo de senha (biometria?) ou por ser uma versão de desenvolvimento do Alert (Clique para aumentar o tamanho).

A ferramenta tem opções para gerar relatórios como o episódio completo, informações para o paciente, informações para outro médico e prontuário clínico. É possível ver o que já foi impresso, quem imprimiu, quando e reimprimir.
Eu já recebei paciente com encaminhamento de hospital feito pelo Alert. A impressão é bem feita, mas reparei que gasta muita tinta, com barras coloridas e inclui a foto do paciente. Para o SUS deveria ter a opção de impressão bem simples para economizar.

Bibliografia

Abordagem Comunitária pelo MFC – Programa de Atualização em Medicina de Família e Comunidade – PROMEF

O Ponto de Vista da Turma da Computação

17 de dezembro de 2010

Fábio Castro

Adicionei um novo link sobre um blog sobre Informática Médica espanhol. Se chama Informática Médica Y Estándares . O autor é especialista em Engenharia da Computação com especialização em Informática Médica. A leitura dos posts do blog permite perceber a diferença de ponto de vista do pessoal da Computação e dos Médicos que se interessam pelo assunto.

Se eu dividir um software em camadas a primeira é o banco de dados onde os dados serão gravados como a lista de pacientes. A segunda camada é o “Business-Logic Layer” que está relacionado com o fluxo de trabalho. A terceira é a “User-Interface Layer”. Eu me preocupo com a terceira e um pouco com a segunda camada. O pessoal da Computação costuma se preocupar em ordem inversa com assuntos relacionados com padronização e segurança de informações.

Encontro do Grupo Tarefa CIAP/ICPC2 e Prontuário Eletrônico

8 de dezembro de 2010

Foi realizado em São Paulo, no fim de Novembro, um encontro do Grupo Tarefa sobre a codificação CIAP/ICPC2 e Prontuário Eletrônico da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), além de representantes do Ministério da Saúde e cinco empresas desenvolvedoras que apresentaram seus Prontuários Eletrônicos.

O objetivo foi discutir questões relacionadas com o Prontuário Eletrônico na Atenção Primária a Saúde (APS) focando inicialmente no CIAP/ICPC2, SOAP e o conceito de Episódio. Entre os objetivos estavam estudar a criação de um Certificado para Atenção Primária na Saúde (APS), requisitos para os prontuários eletrônicos na APS e pesquisas relacionadas com o assunto.

Foram realizadas cinco apresentações de software sendo três estrangeiros. Nenhum dos software respondia completamente ao uso do CIAP, SOAP e conceito de Episódio/Encontro. No final foi escolhido iniciar os trabalhos com o software holandês TransHis para realizar algumas pesquisas sobre o assunto.

Uma informação interessante que foi discutida é que não existe Prontuário Eletrônico ideal e dificilmente deverá existir pois as empresas tendem a desenvolver um software para servir para todas as situações com o objetivo de diminuir os custos de desenvolvimento. Então pelo menos deveria existir garantias que os requisitos para a APS sejam contemplados.

Em relação aos custos uma empresa citou o valor de 0,25 centavos por habitando por mês. Este valor simplifica questões burocrática pois pode ser instalado em um número ilimitado de computadores ou sem limites de usuários na Cidade.

Considerando 3 reais de gastos com habitante por ano e considerando outros gastos como hardware, instalações e apoio daria cerca de 1% do que o Governo gasta por habitante por ano (cerca de 450 reais). Em termos de Brasil seria cerca de 400 milhões de Reais por mês cobrindo 70% da população. Em 10 anos seriam um gasto de 4 bilhões de Reais o que dá uma idéia da importância do tema e garantir que o investimento seja bem feito deixando de ser apenas mais burocracia, trabalho, perda de tempo e dor de cabeça para os profissionais e sim algo útil e que resolva, pelo menos em partes, os problemas encontrados na APS no Brasil.

Bibliografia

Diagnóstico de Demanda em Florianópolis utilizando a Classificação Internacional de Atenção Primária 2a Edição (CIAP 2) – http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5159/tde-08032010-164025/publico/GustavoGusso.pdf