Test Drive do ALERT – Parte 1


Fábio Castro

Tive a oportunidade de testar o prontuário eletrônico Alert criado por uma empresa Portuguesa. Novamente estou dando a minha opinião como um médico do Programa de Saúde da Família.

O Alert foi criado para hospitais e a equipe de desenvolvimento acredita que ser funcionar bem para um hospital deve funcionar bem em qualquer situação. Esta abordagem está relacionada com o custo de criar vários programas para cada situação como hospital, especialidades, pronto atendimento etc.

Um critério de  julgamento é ser fácil de usar e de aprender a usar. O Alert tem muitas telas, mas todas em uma tela de ajuda o que acaba facilitando. O problema é a demora para entender tudo. Como são muitas telas o teste será bem resumido.

A interface das telas está relacionado com o uso da tecnologia touchscreen. Eu usei só o mouse então não foi possível analisar usando o dedo. A interface usa muitos ícones ao invés de campos nomeados. No começo é estranho mas se acostuma. É só passar o mouse sobre o ícone que mostra o que significa. Senti falta de teclas de atalho provavelmente relacionado com o uso de tela touchscreen (clique na imagem para ampliar).

Cadastro do Paciente

A primeira coisa a se fazer em uma Equipe de Saúde da Família é cadastrar os paciente no processo de territorialização. O trabalho não é só anotar os dados do paciente com nome, data nascimento, nome do pai e mãe, etc. O trabalho também implica em cadastrar as ruas, domicílios, quarteirões, famílias, delimitar a microárea e área de abrangência. Os dados serão necessários para pesquisas estatísticas e levantamento de dados. O processo é até mais complexo tendo que identificar barreiras e recursos existentes como escola e igreja.

Interessa para os membros da equipe saber se o paciente pertence ou não a área. Será um filtro para várias ações desde o agendamento, facilitando a busca do paciente, até na analise de dados estatísticos. Por exemplo, se o protocolo cita que os pacientes diabéticos em uso de insulina tem que consultar pelo menos quatro vezes por ano então eu faço a busca pelos pacientes da área, mostrando as consultas com o médico da equipe e especialistas, ao invés de fazer a busca dos pacientes do médico da equipe que não irá mostrar as consultas com o especialista.

A screen abaixo é do cadastro do endereço. O dado não é estruturado o que dificultará estudos estatísticos. As ruas deveriam ser cadastradas antes do atendimento pelos Agentes Comunitários, ou mesmo durante o cadastramento dos pacientes na unidade com a opção de “novo endereço” ou “novo domicilio” (Clique para aumentar o tamanho).

A interface abaixo é de uma entrada de dados estruturada (Clique para aumentar o tamanho).

Um dado interessante é que eu atendo pacientes de outras áreas que por vários motivos não querem consultar em outra equipe. Então eu atendo pacientes fora de área o que significa que tem que ser considerados também na minha estatística e até de outra equipe.

Durante o atendimento alguns moradores mais antigos do local costumam informar dados da história do local. Então o tempo que o paciente mora no local pode ser um dado interessante. Pode ser fonte para virar um alerta para o médico abordar o paciente sobre esta questão no momento apropriado.

O cadastro também inclui a equipe, local que está instalada ou unidade, e os profissionais da equipe. O Alert tem o cadastro de especialista e local de atendimento (sala).

Agendamento

Depois do cadastramento vem o agendamento para uma consulta. A interface de agenda parece bem completo. É fácil ver os pacientes consultados nos dias anteriores e a serem consultados, quantos serão consultados no dia, quantos falta para serem consultados e outras tarefas agendadas (medicação, exames etc) para outras áreas do serviço.

A lista de espera tem a foto do paciente. Deve ser interessante chegar na sala de esperar, chamar o próximo paciente e já saber quem é pelo rosto. A interface abaixo foi editada e adicionada uma foto para demonstração. Também coloquei o menu para indicar o que foi feito ou será feito (Clique para aumentar o tamanho).

Na interface abaixo está uma interface com calendário. Os campos mostram o número de consultas atendidas e agendadas. No dia 10 está marcado 2/2. A agenda tem a capacidade de reagendar consulta em bloco tendo que registrar que notificou o paciente e o motivo (Clique para aumentar o tamanho).

Cabeçalho

Na parte superior da interface fica o cabeçalho com o nome do paciente, foto do paciente (a direita), foto do profissional atendendo (a esquerda) e outros dados de identificação. O cabeçalho também pode mostrar dados clínicos como historia do paciente, vícios, alergias, grupo sanguíneos, doenças relevantes e anotações. Completei o quadro pois só aparece a legenda se os campos estiverem preenchidos (Clique para aumentar o tamanho).

A presença de dados clínicos no cabeçalho poderia ser facilmente eliminada se o software trabalhasse com uma lista de  problemas que apareceria o tempo todo.

O que senti falta, já citando o cadastro, é a equipe do PSF a que pertence o paciente e o endereço. Existem situações em que é interessante para o trabalho no PSF. Um exemplo é em época de Dengue onde os casos se concentram em algumas regiões e não está disseminada igualmente.

Imprimindo

A ferramenta de impressão fica no canto inferior esquerdo. Toda vez que se imprime alguma coisa é necessário usar a senha. Pode ser uma medida de segurança, mas atrasa o trabalho. Não consegui imprimir nada pois o programa travava. O problema podia estar relacionado como mecanismo de senha (biometria?) ou por ser uma versão de desenvolvimento do Alert (Clique para aumentar o tamanho).

A ferramenta tem opções para gerar relatórios como o episódio completo, informações para o paciente, informações para outro médico e prontuário clínico. É possível ver o que já foi impresso, quem imprimiu, quando e reimprimir.
Eu já recebei paciente com encaminhamento de hospital feito pelo Alert. A impressão é bem feita, mas reparei que gasta muita tinta, com barras coloridas e inclui a foto do paciente. Para o SUS deveria ter a opção de impressão bem simples para economizar.

Bibliografia

Abordagem Comunitária pelo MFC – Programa de Atualização em Medicina de Família e Comunidade – PROMEF

4 Respostas to “Test Drive do ALERT – Parte 1”

  1. Leandra Carneiro Says:

    Quero muito ver a segunda parte da sua avaliação do ALERT, que na minha opinião, é o melhor software para gestão que conheço, com uma dataware house fantástica, mas ainda deficiente principalmente na parte de prescrição médica e farmácia.
    Abraços,

  2. Leandra Carneiro Says:

    *data warehouse

  3. Teste Drive do Alert – Parte 2 – Entrada de Dados « Informática Médica no PSF Says:

    […] Informática Médica no PSF « Test Drive do ALERT – Parte 1 […]

  4. Test Drive do Alert – Parte 3 – Entrada de Dados « Informática Médica no PSF Says:

    […] Test Drive do Alert – Parte 1 […]

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