Avaliação de Tecnologia na Informática Médica


Nos posts anteriores foi realizada uma avaliação de um Prontuário Eletrônico (Alert). Foi chamado de “test drive” pois foi uma avaliação bem rápida, como uma “voltinha de carro”. A visão que tive do software foi bem parcial e limitada. Não apareceram todos os pontos positivos, mas também não foram vistos todos os pontos negativos. No caso dos pontos negativos, geralmente relacionados com a Atenção Primária (APS), tentei mostrar como melhorar ou resolver o problema. Em alguns módulos do Alert nem era aconselhável dar opinião como o de Enfermagem. Em outros, como as funcionalidades da recepção, foi bem superficial pois teria que testar na prática e o julgamento foi mais pela aparência (método TLAW – That’s Look About Right).

Testar um software requer aplicar todas as possíveis combinações de entrada de dados com todos os resultados e interações possíveis. É uma tarefa que rapidamente se torna inviável. Uma avaliação de qualidade implicaria no uso do software diariamente durante meses para avaliar o máximo de situações possíveis. No caso do PSF é possível fazer uma avaliação bem ampla pois são tratados casos agudos e crônicos, de todas as idades (recém nascido até idoso) e até o pré-natal.

O produto de uma avaliação em informática é geralmente narrativo, sem a metodologia quantitativa geralmente usada em Medicina (objetivo, metodologia, avaliação e conclusão etc). A abordagem narrativa é bem mais fácil e até ideal para o caso de um Blog na internet por dar bem menos trabalho.

Existem quatro categorias de avaliação de software:

(1) Gerenciamento

(2) Funcionalidades do Sistema

(3) Tecnologias

(4) Impacto na qualidade, custos e acesso

A avaliação do Alert se concentrou nas funcionalidades do sistema. Nem tive acesso ao programa que analisa os indicadores. As tecnologias usadas não são preocupações para os médicos (banco de dados da Oracle, tecnologia flash, touch screen, tempo de resposta, etc). Avaliar o impacto na qualidade e custos é um trabalho bem mais complexo e demorado.

Uma avaliação de tecnologia (technology assessment) implica em avaliar a segurança, eficácia, viabilidade, indicação de uso, custo, custo-efetividade e conseqüências éticas-sociais-econômicas (intencionais ou não).

Existem vários motivos para se avaliar um Prontuário Eletrônico. Pode ser promocional para encorajar o uso, mostrar que é seguro para a instituição e o paciente, além de custo-efetivo. Um Prontuário Eletrônico pode ser usado para desenvolver informações clínicas como a coleta de dados e o uso de Sistemas de Apoio a Decisão. A avaliação pode ser por pragmatismo para saber quais técnicas e métodos são mais efetivos ou quais abordagens que falham mais. O objetivo é aprender com os erros anteriores.

Existem motivos éticos pois os médicos praticam seu trabalho em um estrutura ética então o software tem que provar que é seguro. Também pode ser por motivos legais pois as informações tem que ser precisa para evitar processos. O pessoal da administração tem que mostrar que vale a pena o investimento em um software e não em outro concorrente.

Formas de Abordagem

Uma avaliação tecnológica pode ter vários tipos de abordagens. A abordagem baseada em comparação compara as informações com uma condição de controle, um placebo, ou fonte de contraste. É a metodologia mais usada em Epidemiologia. A abordagem baseada em objetivos busca determinar se um recurso preenche os objetivos planejados. Os objetivos têm que ser bem detalhados para não gerar dúvidas. No objetivo livre (Goal Free) quem avalia não sabe o objetivo do projeto e acaba descobrindo questões não intencionais. Existem outros como o “art criticism” com uma pessoa considerada expert no assunto fazendo revisando dos pontos positivos e falhas.  É muito usada em revisão de software.

Bibliografia

Shortliffe, E.H. Cimino, JE (Editores): Biomedical Informatics: Computer Applications in Health Care and Biomedicine . Third Edition, Springer. 2006.

Dick, SR, Steen, EB. Detmer, DE (Editors): The Computer Based Medical Record. An Essential Technology for Health Care. Institute of Medicine. National Academies Press, 1997.

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