Prontuário Eletrônico com Capacidade online e off-line


Fábio Castro

Não é muito agradável estar atendendo um paciente e de repente o sistema sai fora do ar. Todas as informações já preenchidas no Prontuário Eletrônico estão perdidas. Outras não poderão ser acessadas. Vou ter que fazer tudo manualmente e os dados não serão visualizados depois no Prontuário Eletrônico, a não ser que os dados sejam novamente entrados no Prontuário Eletrônico.

O problema maior é com os dados estatísticos. Se estou atendendo um pré-natal os indicadores começam a ficar inconsistentes citando que eu não pedi tais exames, não fiz tantas consultas, não iniciei o pré natal no período determinado etc. Na prática os dados estão corretos, mas como o Prontuário Eletrônico não funcionou durante o atendimento os dados não foram anotados. A confiança no sistema vai diminuindo com o tempo.

O problema está relacionado com o uso de um Prontuário Eletrônico baseado na internet que só funciona no modo online. O problema poderia ser minimizado se também funcionasse no modo off-line. Muitas capacidades seriam perdidas, mas ainda seria melhor que o modo manual.

O principio lembra a edição de email em programas de email como o Outlook Express. É possível baixar os emails no modo online e depois ler e editar os email no modo off-line. Com a conexão voltando é possível enviar os emails.

Um Prontuário Eletrônico com um banco de dados baseado no principio dos email trocaria as mensagens como a interface abaixo, mas não seria visto pelo profissional (clique na imagem para aumentar de tamanho):

O endereço de email seria o número do Cartão Nacional de Saúde do paciente seguido do local onde seria armazenado. O subject pode ser uma indicação do tipo de dado pois pode ser uma evolução clínica, troca de dados de medicamentos com o módulo da farmácia, dados de laboratório etc.

O corpo do email seriam os dados clínicos. Os dados não estariam estruturados, mas é o suficiente para o médico interpretar pois é o que faz com o prontuário em papel. Qualquer programa de “email” consegue mostrar esta informação permitindo que vários programas tenham interoperabilidade. O arquivo atachado seria os dados clínicos de forma estruturada que só seriam visualizados pelo programa que gerou os dados.

Com o fim do atendimento o “email” é enviado para o servidor. O email também fica armazenado no computador para os dados serem usados no modo offline. Se a rede não funciona o email fica guardado esperando a rede voltar e ser enviado. Se o paciente vai ser atendido e a rede está off-line então os dados clínicos são montados a partir dos “emails” guardados no PC. O que fica perdido seriam os dados novos como consultas recentes, dados de laboratórios e da farmácia.

Exemplo Prático

Um profissional vai trabalhar em uma equipe do PSF e recebe um login e senha do Prontuário Eletrônico. Seu programa de “emails” está vazio. Quando vai atender um paciente o programa logo começa a baixar os dados clínicos daquele paciente. Cada consulta vem em forma de um “email” para formar o banco de dados daquele paciente. Isso pode já iniciar quando a recepção coloca um paciente na lista de espera de atendimento. O objetivo é evitar atender um paciente com dados incompletos.

A outra opção é usar os dados de um profissional que trabalhava antes na equipe com os dados tirados em um backup. No PSF se trabalha com uma lista de paciente em uma equipe e seriam os mesmos pacientes com os mesmos dados clínicos. A lista de paciente permite que o médico baixe todos os dados usando a própria senha, e não a senha do paciente como seria em um email normal.

O modo off-line pode ser útil por outros motivos como a falta de energia elétrica ou pane no computador junto com a falta de rede de internet. Um backup em um pendrive seria uma solução para poder usar um sistema com fonte alternativa, como um notebook.

Banco de dados é um assunto bem técnico e fora da realidade do entendimento dos médicos, mas o objetivo geral é bem simples de entender: usar o Prontuário Eletrônico sempre que for necessário. Outra questão é a segurança de informação, mas criptografia também não é um assunto que chama a atenção dos médicos.

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