Por que os médicos odeiam o prontuário eletrônico?


O professor Renato Sabbatini postou a mensagem abaixo sobre Prontuários Eletrônicos na lista de notícias da SBIS (http://groups.google.com/group/sbis_l). É um resumo sobre um artigo (clique aqui para ver o artigo)

O que me chamou a atenção no artigo foram os comentários de outros médicos que citam que a grande maioria dos prontuários eletrônicos são péssimos. Em posts anteriores foi citado que a participação dos médicos no desenvolvimento de um Prontuário Eletrônico é um motivo de sucesso. O artigo acima cita esta questão, com os projetos sendo impostos de cima para baixo, por gestores ou administradores. Um comentário cita a postura dos desenvolvedores que focam nas metodologias de projeto e ouvem os usuários (médicos) depois.

Post original:
Artigo muito interessante no Kevin MD. Resumo da história:

1. Interfaces atrozes de usuário, ineficientes, maioria dos softwares gasta mais tempo que o papel, desenvolvimento foi top-down e não envolveu ou consultou os profissionais de saúde

2. Não está comprovado que o PEP aumenta a segurança do paciente ou a eficiência do sistema, ou baixe os custos. Mal implementado, existe evidência que é o contrário: prejudica a segurança do paciente e aumenta os custos.

3. Médicos ciosos de sua independência e receosos de julgamento de valores e competição agressiva, não querem compartilhar com outros médicos da instituição os dados de “seus” pacientes

4. Medo de que serão espionados, criticados, punidos e até demitidos por análises injustas do que entrarem no prontuário

5. Mas o pior é o argumento de que os hospitais e instituições de saúde, principalmente planos de saúde, querem controlar os médicos através do PEP, usando o seguinte esquema:

– Tira o papel, torna uso obrigatório do PEP em toda a instituição
– Não tem outro jeito, mais,  de pedir exames, procedimentos e encaminhar pacientes a não ser através do PEP
– a instituição então passa a tirar ou substitiuir certos exames, medicamentos, procedimentos, etc., da lista disponibilizada nos menus, tornando impossível seu uso pelo médico
– a liberdade do médico passa a ser restrita, muitas vezes por motivos econômicos

Se quisermos melhorar a adoção do PEP, vamos ter, como profissionais de saúde, encarar como derrubar esses obstáculos, que são sérios, muitas vezes invisíveis e não compreendidos. Um a um. Os médicos têm razão em muitos desses pontos.

Uma resposta to “Por que os médicos odeiam o prontuário eletrônico?”

  1. Ricardo Cabral Says:

    A Tecnologia não é apenas boa. A tecnologia tem que ser proveitosa para ser usável, e o PEP ainda está distante de ser ideal. Temos um longo caminho pela frente, e acho que é mais do que apenas User Interface, mas temos que pensar em uma nova forma de fazer coleta de dados, uma nova forma de organização de dados, uma nova forma de pensar semiologia médica.

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