Archive for the ‘Especialista em Informática Médica’ Category

Especialização em Informática em Saúde – Curso

27 de junho de 2013

A UNIFESP está abrindo vagas para seu Curso de Especialização em Informática em Saúde. O curso é gratuito e faz parte do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). Será a terceira edição do curso. Para maiores informações clique no link:

http://portaluab.unifesp.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9&Itemid=27

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Carta Aberta da ABRASCO

30 de novembro de 2011

A ABRASCO (Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva) enviou uma carta aberta para o Ministro de Saúde sobre política de Tecnologia de Informaçaõ (TI) no SUS. A carta está disponível no link: Carta Aberta

A carta trata basicamente no uso de software de uso privada e público. Cita que o governo está priorizando o uso de software de empresas privadas considerando que as instituições públicas não tem capacidade de desenvolver. Cita até exemplos de softwares públicos que tiveram sucesso para mostrar que não é uma verdade absoluta.

O desenvolvimento do CNS foi dado pela ABRASCO como exemplo de fracasso de um sistema desenvolvido por empresas privadas. O uso da classificação de risco de Manchester é outro bom exemplo. Foi criado para serviços de urgência e emergência e foi escolhido pelo Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais para uso, também, nas equipes do PSF, um serviço tipicamente ambulatorial. A reação dos profissionais está sendo altamente negativa. O custo do contrato é bem suspeito.

Softwares desenvolvidos para a realidade de serviços privados podem ser até nocivos quando usado no serviço público onde a carência de recursos e a diferença entre os usuários pode ser gritante. Falta de papel ou cartucho para impressora pode ser um bom exemplo (se a equipe do PSF tiver um médico para usar).

As empresas privadas desenvolvem softwares com objetivos limitados para diminuir os custos e riscos de desenvolvimento. O resultado são softwares limitados que não respondem a maioria dos problemas encontrados na Atenção Primária a Saúde (APS).

Um software para a APS deveria considerar a integração de vários sistemas:

– Prontuário Eletrônico. Costuma ser o produto mais vendido. A grande maioria dos produtos trabalha com a internet, mas na APS tem que considerar locais onde não existe internet ou é muito lenta, o que não é típico de serviço privado.

– Sistema de informação. Um serviço privado se preocupa com pagamento (TISS) enquanto a APS lida mais com dados epidemiológicos. Os Sistemas de Informação também costumam ser voltados para os interesses do gestor e não das equipes do PSF.

– Sistemas de Apoio a Decisão. Sempre foi uma grande promessa, mas o desenvolvimento e aceitação sempre foram os grandes limitadores. Para ter sucesso tem que ser direcionado para o contexto da APS.

– PSF Móvel. Informatizar o trabalho dos ACS, e de outros profissionais trabalhando fora da unidade de saúde, tem um grande potencial, mas é um trabalho desconhecido e pouco valorizado.

– Educação Permanente. Está na pauta do Ministério da Saúde pois um dos grandes problemas da APS é a capacitação de um grande número de profissionais.

– Prontuário Pessoal de Saúde. É um serviço pouco conhecido e até com limitações de uso pela população. Não é considerado pelos desenvolvedores e gestores.

Um software que integra todos estes recursos, com qualidade, tem um risco muito grande de falhar e o custo pode estar fora da realidade da maioria das empresas de software. O financiamento com recurso público seria necessário.

Falta de Investimento

O problema pode ser uma questão de investimento insuficiente. O uso de software privado poderia ser uma alternativa temporária até que softwares realmente adequados, públicos ou privados, se tornem uma realidade. A solução seria investir pesado em pesquisa. Começaria mesmo na base da tentativa e erro.

A ABRASCO já mostrou que está interessada no assunto e pesquisas sobre o assunto são uma forma de dar base a novas discussões. As perguntas podem ser simples como “o que este software tem/faz que ajuda os médicos no trabalho na APS?” ou “o que falta neste software para ajudar os médicos no trabalho na APS?”.

Outra solução pode ser investir em ensino com cursos específicos para profissionais de saúde e TI na área de Informática em Saúde. Até mesmo os gestores precisam ser capacitados para poderem tomar decisões.

Ensino da Informática Médica

26 de maio de 2011

Fábio Castro

Meus colegas do trabalho estão sempre me chamado para resolver problemas no computador, impressora ou internet, mas não é esta área que me interessa. São questões relacionadas com a informática básica que cobriria as informações que todos os usuários deveriam entender. O problema é que a maioria dos médicos não conhece nem o básico. As informações que eu posto no Blog tendem a ser bem simplificadas pensando exatamente neste problema.

O ensino da informática para os médicos poderia iniciar já antes da faculdade. Para quem ainda não entrou na faculdade não vai ser problema, mas para os médicos mais antigos vai ser um problema por um longo tempo. Os alunos da turma da faculdade de um sobrinho meu se conheceram antes do inicio do curso pelo Orkut.

Uma sugestão de temas para a graduação na medicina e faz parte de cursos de informática médica para a graduação:

– Editar textos (Word), planilhas Excel, criar apresentações no powerpoint.

– Usar programas de comunicações como email, MSN e Skype.

– Uso da internet – browser, pesquisa na internet (google), favoritos, criar home-pages e blogs, etc.

– Listas de discussões e fóruns na internet

– Redes sociais (facebook, orkut)

– Segurança – anti-vírus, firewall, anti-spyware, uso seguro de email

– Hardware básico (manutenção, problemas comuns etc)

Como o conhecimento no tema varia muito de uma pessoa para outra o ensino de informática básica poderia ser opcional para nivelar os alunos pois alguns já podem ter um bom nível de conhecimento.

Conhecimentos mais avançados no fim da graduação e pós-graduação:
– Programas de epidemiologia (EPI INFO, SPSS)

– Pesquisa em sites médicos (Medicina Baseada em Evidência)

– Livros digitalizados – incluindo os usados em dispositivos móveis

– Básico sobre prontuário eletrônico

– Ensino a distância

– Telemedicina

O sucesso de um sistema de informação está relacionado com a expectativa dos médicos. A educação em nível de faculdade prepara os médicos para o uso de sistemas de informações e prontuários eletrônicos. A expectativa criada tem que ser realista pois se for muito alta leva a desilusão e se for muito baixa pode impedir a introdução de sistemas. O treino inicial deve enfatizar o uso de sistema que diminuam o trabalho administrativo e melhoria da qualidade no atendimento.

Ter conhecimento avançado também não significa que pode ser considerado um especialista na área. Um especialista teria capacidade de avaliar um programa, sugerir melhorias e até propor novos programas.

Cursos dedicados em Informática Médica temos os cursos de Informática em Saúde da UNIFESP e de Informática Biomédica da USP – Ribeirão Preto.

“A SBIS instituiu o PAP: Programa de Aperfeiçoamento Profissional, que tem como objetivo qualificar e certificar especialistas em informática em saúde, através do CAP: Certificado de Aperfeiçoamento Profissional, a ser concedido a cada 5 anos. Também instituiu o Título de Especialista em Informática em Saúde, que será concedido mediante análise curricular e realização de exame”. Mais dados podem ser encontrados no site http://sbis.virtual.org.br/

A Informática Médica também pode ser subdividida em subespecialidades. Como sugestão temos:

– Prontuário Eletrônico

– Sistemas de Apoio a Decisão

– Sistema de Informação

– Hardwares Médicos

– Telemedicina

Quanto ao local de trabalho do médico especialista na área temos:

– Hospital

– Ambulatório e consultórios

– Laboratórios

– Gestão

– Pesquisa

– Ensino

Também considero que cada especialidade médica deveria ter médicos também com especialização em Informática Médica. Um oftalmologista que também tenha conhecimentos avançados em Informática Médica estaria mais bem preparado para trabalhar em softwares voltados para a especialidade. O próprio blog é um exemplos pois as informações são voltadas para a área que eu conheço (APS).

A Informática Médica tem muita interação com outras áreas, além da Tecnologia de Informações, como os epidemiologistas que trabalham na área de Sistemas de Informação.

Uma das grandes limitações para o crescimento da área, e bem antigo, é a falta de professores capacitados na área e o desconhecimento do assunto nas faculdades. Até a bibliografia é difícil de encontrar. O problema é extensivo as outras profissões da área de saúde como enfermeiros, farmacêuticos, etc.

O Especialista em Informática Médica

3 de outubro de 2010

Fábio Castro

A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) está planejando a realização da primeira prova de Título de Especialista em Informática em Saúde (Certificação Profissional). A matéria da prova está no Programa da Prova de Conhecimento para Título de Especialista em Informática em Saúde (clique aqui para ver o programa) é bem aterrorizante para maioria dos médicos, assim como alguns itens devem ser aterrorizantes para quem trabalha na área de Tecnologia de Informação. O Título não é aceito pelo Conselho Federal de Medicina por ser multiprofissional podendo ser realizado por qualquer profissional da área de informática ou saúde. Eu uso o termo Informática Médica por entender e considerar apenas do ponto de vista médico. O curso superior de bioinformática também forma profissionais para trabalhar nas áreas biológicas como genoma.

A Informática em Saúde não é uma especialidade simples. Tem características que permitem que seja considerada como um campo de estudo próprio. A Informática Médica é a ciência ou campo da ciência relacionada com analise e disseminação de dados médicos através da aplicação das tecnologias de informação a vários aspectos da saúde e medicina. O Medinfo 2009 (1) cita que a Informática Médica é um campo da ciência complexa que integra teorias, metodologias de projeto e conhecimentos relevantes para garantir a “melhor prática” em vários domínios da cognição, computação, informação, organizacional e outros conhecimentos especializados quando aplicados sinergicamente para coletar, armazenar, organizar, manipular, usar e disseminar informações com bases clínicas e saúde.

Na prática o que um especialista em Informática Médica faz é ligar o conhecimento dos profissionais da Tecnologia da Informação com os da área Médica/Saúde. Os especialistas de Tecnologia de Informação geralmente reconhecem que não entendem nada de medicina e vice-versa. Na maioria dos projetos o que se faz é juntar os dois especialistas das duas áreas com o resultado não sendo muito bom. O especialista em Informática Médica teria a função de diminui os erros. Os projetos de Tecnologia em Informação em saúde são famosos pelos fracassos, mesmo com esforço para sucesso. A falha chega a 50-80%. Os programas geralmente tem sucesso parcial atingido alguns objetivos até falha geral sendo abandonado pelos profissionais. O projeto pode não levar a mudança na organização, ou surgiram resultados indesejáveis. O projeto pode funcionar em um contexto e falhar se implementado em outro (5).

Massad cita que é fundamental que esteja presente na equipe de desenvolvimento um profissional experiente com formação em informática médica ou irá gerar um produto ineficiente e não atende necessidade reais dos usuários” (2). O Medinfo 2009 também cita que os tentem a não usar o que não foi projetado por médicos sendo também um fator de sucesso para implementação(4).

Giulliano cita que uma equipe para desenvolver o projeto deveria ser liderada por um especialista que tivesse o conhecimento das diversas áreas envolvidas no projeto, informática e saúde principalmente, bem como deve possuir profundos conhecimentos sobre PEP e padronização. Sem esse perfil, o coordenador do projeto pode “pecar” em algum ponto ou deixar de conduzir o processo de forma a atingir os seus objetivos, ou mesmo, construir um sistema que não seja adequado a realidade dos usuários. Apesar disso, somente uma minoria dos projetos, 14,3%, são coordenados por um especialista em Informática Médica, profissional ideal para conduzir um projeto de PEP, visto que possui as qualidades comentadas acima. Talvez isso se deva ao fato do número restrito de profissionais especializados nesta área ou por ser a Informática Médica ainda muito jovem e, principalmente, pouco conhecida, tanto por profissionais de saúde como pelos informatas. Giulliano também cita que em uma pesquisa com uma equipe de desenvolvimento tem em média 16 pessoas (3). 

A minha experiência prática é na fase de teste de um projeto, como um Prontuário Eletrônico, é onde seria importante a presença de um médico com formação em Informática Médica pois, por questões éticas, um outro profissional teria limitação a uma consulta com o paciente, é que seria importante pois o médico não teria limitações.

No meu primeiro post no Blog (clique aqui para ir para o post) eu citei um exemplo simples de como um profissional preparado pode fazer muita diferença. No caso era o exemplo do módulo de atestado mostrando que o programa era até mais demorado que o preenchimento escrito, mas que podia ser aperfeiçoado para funcionar com apenas um clique do mouse e ainda com potencial para resolver outros problemas da prática médica. Na minha experiência e conversas com outros profissionais médicos as opiniões sobre um novo programa são bem simples como “legal”, “não gostei”, “não entendi” etc. A maioria não tem muito senso crítico para fazer comentários construtivos. 

Bibliografia

1- MEDINFO 2009 – Medical Informatics: Concepts, Methodologies, Tools, and Applications – Joseph Tan

2 – O prontuário eletrônico do paciente na assistência, informação e conhecimento médico / Editores Eduardo Massad. 2003.

3 – Desenvolvimento e Avaliação Tecnológica de um Sistema de Prontuário Eletrônico do Paciente, Baseado nos Paradigmas da World Wide Web e da Engenharia de Software  Autor: Claudio Giulliano Alves da Costa

4 – MEDINFO 2009 – Chapter 1.22 – Key Performance Indicators and Information Flow: The Cornerstones of Effective Knowledge Management for Managed Care  medical informatics

5- MEDINFO 2007 – Change Management and the Sustainability of Health ICT Projects