Archive for the ‘Gestão do Conhecimento’ Category

ECG CALC

17 de agosto de 2016

Estou sem postar neste blog por um bom motivo. Desenvolvi um aplicativo de interpretação automática do eletrocardiograma chamado ECG CALC.

Vídeo demonstrativo:

A versão grátis, só com arritmias, está disponível para iPhone e Android:

Google Play: https://goo.gl/vxozYQ
Apple: https://goo.gl/rMxJv2

Link da versão completa com outros 70 problemas:

Google Play: https://goo.gl/bGmpJR
Apple: https://goo.gl/yizXfM

Os melhores Prontuários Eletrônicos

29 de abril de 2013

Há vários meses atrás, um post no grupo da SBIS no facebook (http://www.facebook.com/groups/160121100777/) indicou uma pesquisa sobre os prontuários eletrônicos americanos : EHR Report 2012: Physicians Rank Top EHRs. Os slides estão disponíveis no link: http://www.medscape.com/features/slideshow/EHR2012?src=ptalk#1 (o link só funciona clicando no facebook – a data do post é de 30 de novembro de 2012).

A pesquisa incluía 17 prontuários eletrônicos pontuados de 0 a 5. O melhor atingiu nota geral 4,22 e o pior 2,81. Os critérios de qualidade incluem facilidade de aprender, facilidade de entrar dados, intuitivo, implementação, confiabilidade, apoio, custo, satisfação da chefia, aparência do produto. A imagem abaixo lista os prontuários e suas pontuações.

EHRreport

O Youtube tem vários vídeos de tutoriais dos Prontuários Eletrônicos citados. Tentei dar uma conferida no que os melhores tem em comum para tentar encontrar um padrão. Dois itens me chamaram a atenção: ferramentas de entrada de dados e meios de apoio a decisão.

Na imagem abaixo, o vídeo do Practice Fusion mostra como o usuário pode preencher uma anamnese clicando em peças de textos prontos. Primeiro o usuário tem que escolher qual problema o paciente tem e a lista de perguntas mais frequentes sobre aquele problema fica disponível. O processo é chamado de “povoar”. Os Prontuários disponibilizam um editor para o usuário criar suas listas de entrada de dados e até disponibilizar para outros usuários.

practic

Na imagem abaixo, o vídeo do Amazing Chart mostra a ferramenta Dragon NaturalSpeaking Medical. A ferramenta traduz o que o médico está falando em texto, fazendo a edição de anamnese e exame físico ficar bem mais rápida.

amazing1dragon

Outra ferramenta disponível no Amazing Chart é uma página sobre apoio a decisão. A página tem duas ferramentas: o “5 minute Clinical Consult (5MCC)” e um link para busca o “up-to-date”. Tenho os dois disponíveis, mas o up-to-date é mais demorado para usar.

amazing1mc

A entrada de dados é um ponto fraco de todo Prontuário Eletrônico, e um problema para os médicos em geral. A pesquisa sugere que estes itens são importantes.

Problema Índice no POP

16 de novembro de 2010

Fábio Castro

Os profissionais de saúde gastam boa parte do seu tempo em atividades relacionadas com gerenciamento de informações seja coletando e gravando dados dos pacientes, consultando colegas, lendo literatura cientifica, planejando procedimentos diagnósticos e estratégias de cuidados, interpretando resultados de exames, ou fazendo pesquisas relacionadas com os problemas dos seus pacientes. Qualquer ferramenta que ajude a agilizar a entrada e acesso aos dados é de grande utilidade.

Existem variações do Registro Médico Orientado para o Problema (RMOP), também chamado de POP (Prontuário Orientado para o Problema), que permitem trabalhar com patologias múltiplas. A Interface Gráfica abaixo é de um prontuário eletrônico que usa o POP com uma lista de problemas no lado esquerdo da tela (clique na imagem para aumentar de tamanho).

Como no prontuário escrito, cada problema se refere a uma pasta do prontuário em papel do RMOP. O prontuário em papel também inclui o prontuário de cada membro da família. Dentro de cada pasta do paciente existem vários compartimentos separando os problemas. Abas laterais indicam o nome dos pacientes, os problemas e até outros formulários do POP.

O Prontuário Eletrônico acima imita esta organização de pastas com várias vantagens. Uma é não ter limitação de espaço. Por exemplo, todas as pessoas de um orfanato podem ser consideradas como uma única família no prontuário eletrônico o que seria impossível com um prontuário escrito no sentido de guardar informações. O número de problemas também não tem a limitação física do prontuário escrito.

As abas superiores imitam os formulários escritos de prescrição, exames, atestados, ficha de produção e encaminhamento do prontuário em papel. No preenchimento eletrônico não é necessário repetir dados como a data e nome do paciente. O que foi feito é passado automaticamente para o espaço próprio no SOAP.

Além da facilidade de entrar dados rapidamente e recuperar os dados em vários formatos, o Prontuário Eletrônico usando o POP permite outras melhorias. Na interface anterior o problema “ASMA” foi dividido em mais dois problemas (crise asmática e atendimento de rotina) tornando o problema “Asma” um problema índice para outros problemas. O objetivo é servir como filtro para outras ferramentas.

Na ficha de produção é possível colocar automaticamente o CID para ASMA automaticamente se o problema for evoluído na pasta raiz. É possível ser ainda mais específico no atendimento de crise e/ou controle. Os dados estatísticos ficarão ainda mais detalhados vistos que se o profissional estiver trabalhando corretamente o atendimento de crise asmática tende a diminuir, seja para cada paciente ou todos os pacientes. O profissional nem precisa preencher dados adicionais para criar estas estatísticas pois o POP é centrado na tarefa, sem enfatizar dados administrativos e sim facilitar a comunicação clinica.

Se eu evoluo na “crise” vou ter outras vantagens na hora de prescrever pois serve como filtro para as medicações de crise asmática. Se eu tenho alguma dúvida em relação a Asma eu clico em uma ferramenta de consulta e aparece já filtrado as diretrizes sobre crise asmática.

No próximo post vou falar do assunto para o caso de pacientes crônicos onde será mais visível a importância do POP para o profissional da APS.

Textos Médicos com Extensão CHM

27 de setembro de 2010

Fábio Castro

Recentemente a Secretaria Municipal de Saúde me mandou um CD com o novo protocolo de Diabetes Melitus e atendimento em angiologia e cirurgia vascular. Já dava para prever que era um arquivo em PDF criado em um formato que pode ser impresso como um manual ou livro o que foi logo confirmado.

A segunda coisa que procurei observar é se o arquivo tinha um índice/sumário/favoritos para facilitar a busca de partes específicas do texto. O arquivo não tem um como mostra a screen abaixo (clique na imagem para aumentar de tamanho).

A próxima chance era procurar o índice, que fica na página 10, e não vou lembrar quando precisar, e ver se clicando nos tópicos serão abertos automaticamente. Não funciona. Como sempre era mesmo só um texto em PDF feito para ser impresso. Então o arquivo só serve para estudar em casa pois para usar no meio do atendimento para tirar dúvidas fica bem complicado procurar um item que eu quero. Vou ter que procurar o sumário, ou fazer uma busca e tem gente que vai passar página por página até achar. A screen abaixo é do índice do protocolo (clique na imagem para aumentar de tamanho).

A screen abaixo é um livro de consulta rápida, 5-Minute Clinical Consult (5MC), que usa a extensão CHM ao invés da PDF. A vantagem é ter sempre um índice disponível no lado esquerdo da tela. No meio do atendimento de uma paciente com cálculo renal eu resolvi dar uma olhada rápida para ver se tem coisa nova na última edição. Clico na tecla do windows que fica no canto inferior do teclado, clico no atalho para “livros de medicina” que eu coloquei no meu iniciar, o arquivo do 5MC é o primeiro da lista pois coloquei um “zero” antes do nome para ficar entre os primeiros da lista por ser um dos mais usados, abri o arquivo, procurei na letra N (nefrolitíase não estava na lista) e achei na letra U (urolitíase em inglês). São poucos segundos para encontrar o que eu quero e a maior barreira é o lembrar do termo equivalente em inglês.

Como o texto é pequeno, bem “telegráfico” para consulta rápida, podendo ser mesmo lido em cinco minutos, achei fácil a parte de tratamento. Já no começo do texto já cita informações que eu não sabia sobre o uso de bloqueador de canal de cálcio o que era útil visto que a paciente era hipertensa. Ter citado o NNT também ajudou pois é muito trabalhoso encontrar este tipo de informação. A screen abaixo é do texto (clique na imagem para aumentar de tamanho).

A extensão CHM (Compiled HTML Help) foi criada para criar arquivos de ajuda de software. Para quem usa programas mais antigos é só apertar a tecla F1 que vai aparecer o arquivo de ajuda no formato CHM ou a versão mais atual se for uma versão mais atual do Explorer. Atualmente os softwares estão vindo com ajuda online com o arquivo CHM sendo substituído por um link na internet. Vários livros médicos estão disponíveis em formato CHM por ter um índice sempre disponível para facilitar o acesso e por ser um formato bem leve comparado com o PDF. O formato CHM funciona bem até em computadores antigos podem até ser lidos em iPhone, iPod e iPad.

Imagino até que um arquivo médico em CHM substituindo o arquivo original de ajuda de um Prontuário Eletrônico. Quando o médico tiver uma dúvida é só apertar a tecla de pânico (a tecla F1) que aparece o arquivo de consulta rápida como o 5MC.

Voltando ao novo protocolo de diabetes, com um índice adequado e no formato CHM o texto poderia ser usado para consulta rápida durante a consulta médica, com maiores chances das novas informações serem colocadas em prática que é o objetivo final do protocolo. Como no setor público os computadores são usados até não funcionar mais, é bem provável que um arquivo em PDF, criado em uma versão mais nova do Acrobat Reader, fique bem pesado de usar em um PC mais antigo e também seja abandonado devido a lentidão no uso.

No site http://download.cnet.com/windows/ existem vários editores de CHM. É só fazer a busca com a palavra “chm editor” que os programas aparecem na lista.

A Gestão do Conhecimento – Segunda Parte

19 de outubro de 2009

Fábio Castro

A área de saúde faz uso intensivo do conhecimento, com processamento intenso de dados, com os dados vindo do Prontuário Eletrônico, testes clínicos, administração e geração de conhecimento. Os serviços de saúde costumam desconhecer sua base de conhecimento adquirida e o capital de conhecimento sempre é perdido quando os profissionais saem do serviço, devido a rotatividade, atrito, documentação inapropriada e medidas de economia.

A melhora do cuidado do paciente é considerada como sendo proporcional a qualidade dos meios intelectuais de um serviço de saúde. A Gestão do Conhecimento (Knowledge Management – KM) preconiza que a experiência e a expertise dos profissionais devem ser capturadas e refletidas em estatísticas, políticas de saúde e em práticas em todos os níveis.

O objetivo do KM é dar a organização a capacidade de garimpar seus próprios meios de conhecimento, como criar ferramentas com a capacidade de busca centralizada, indexação automatizada, análise de dados e características customizadas integradas em um dashboard. Pode ser na forma de um melhor o acesso a informação e conhecimento em todos os níveis, para atingir custo-eficiência e transformar todos os membros da equipe de saúde em uma rede de conhecimento/comunidade de prática. Na área de saúde o KM é a capacidade de traduzir a pesquisas em práticas para melhorar os cuidados de saúde (Best Practice) e criar novas idéias (innovation).

Conceitos Teóricos de KM

Na área de saúde temos a presença de conhecimento explícito e tácito relacionadas com a acessibilidade do conhecimento. O objetivo final de todo projeto KM é transformar conhecimento tácito em explícito para permitir sua disseminação efetiva.

. Conhecimento tácito (know how) – é o conhecimento “escrito” na mente humana e que não pode ser expresso como a experiência ganha no trabalho. O conhecimento tácito precisa ser capturado e armazenado. Os indivíduos têm que distribuir o conhecimento com os membros do grupo. Os membros validam o conhecimento cru e depois de validados se tornam explícitos ao serem documentados. O conhecimento tácito é geralmente encontrado com os especialistas experientes. É raro distribuir este conhecimento sendo geralmente em conferências.

. Conhecimento implícito – Pode ser acessado com discussões, perguntas, sendo ainda informal. Precisa ser localizado e depois comunicado.

. Conhecimento Explícito (know that) – é o conhecimento facilmente disponível em textos informativos e fáceis de entender como jornais médicos, artigos científicos e publicações. Pode ser interno ou externo. O interno são os relevantes para a prática da medicina como as revistas médicas. Os externos são publicações legais, governamentais e outras não ligadas diretamente ao tratamento dos pacientes, mas a prática geral da medicina.

Os KM considera que o conhecimento pode ser hierarquizado:

– Dados são documentos, sem organização ou processamento (fatos, imagem e sons)

– Informação são, dados selecionados, formatados, filtrados, sumarizados e com interpretação

– Conhecimento são informações são informações selecionadas com interpretação. Pode ser instinto, idéias, regras e procedimentos que guiam as ações e decisões e são contexto dependente. O contexto do conhecimento é importante como um filtro. Fazendo uma busca no Google com as palavras “mostre-me todas as informações sobre os jaguar” vão aparecer informações sobre o carro esportivo ou pode ser um biólogo estudando sobre felinos. Um médico fazendo uma busca sobre uma doença tem interesses bem diferente de um paciente fazendo a mesma busca.

O KM tem quatro estágios:

– Identificação e captura do conhecimento (competências críticas, tipos de conhecimento e indivíduos com a expertise necessária)

– Distribuição do conhecimento

– Aplicação – apoiando decisão, ações e solução de problemas

– No fim pode criar mais conhecimento e o ciclo se fecha.

Criação do Conhecimento

A criação do conhecimento pode ser na descoberta de melhores processos de trabalho, avanços em terapias, melhor relação com o paciente e melhorar as potencialidades de trabalho. As técnicas de data mining podem ser usadas para descobrir padrões, tendências e associações. As técnicas de visualização de informação são outro exemplo.

A criação de conhecimento pode ser controlada ou livre. Quando controlado, por ter sido solicitado, tem um individuo responsável pela inspeção da coleta em várias áreas pois o conhecimento pode estar disponível em vários departamento incluindo farmácia, enfermagem, etc.

Na forma livre todos participam pois podem ser uma fonte de conhecimento e não existe um local de controle. Uma variação é um grupo ficar responsável pela criação e distribuição como, por exemplo, um grupo de cirurgiões pesquisando novos conhecimentos na prática cirúrgica.

A criação e transformação do conhecimento podem ser feitas por quatro métodos:

– Socialização – transforma conhecimento tácito em tácito (duas pessoas conversando)

– Externalização – Converter conhecimento tácito em explícito (escrevendo um artigo técnico)

– Combinação – Converter conhecimento explícito em explícito (combinar conhecimento)

– Internalização – converter conhecimento explícito em tácito (ganhar experiência ou ler um livro)

As empresas de menos sucesso tem uma mentalidade “top down” empurrando conhecimento para onde é necessário. As empresas com mais sucesso recompensam os trabalhadores para procurar, distribuidor e criar conhecimento. Se não me engano no governo americano as recompensas por novas idéias variam de 200 a 20 mil dólares. Cerca 80% das idéias não são aproveitadas, mas o resultado final é uma economia significativa.

Captura e Armazenamento

Após a criação do conhecimento é necessário seu armazenado para poder ser disseminado e transferido. O armazenamento pode ser feito na mente humana, organização, documentos e computadores. Na mente humana é difícil de acessar. Na organizacional fica dispersa e distribuída. Os documentos podem ser desde textos livres a textos bem estruturados como tabelas e gráficos. No computador pode ser formalizado, distribuído e bem estruturado e organizado.

As duas estratégias usadas para captura e armazenamento no computador é a codificação e a personalização. A codificação é baseada no princípio que conhecimento pode ser codificado, armazenado e reutilizado. A codificação permite sua busca e recuperação sem ter que contatar uma pessoa responsável. A personalização precisa da criação de uma rede ou comunidade de pessoas com conhecimento em uma área. Pode ser por e-mail, telefone ou videoconferência. No meio médico é enfatizado a codificação. O tratamento de Pneumonia é o mesmo em qualquer lugar do mundo. A codificação facilita a capturar conhecimento desses tratamentos.

Outra questão é a digitalização. O conhecimento em forma de papel e gráficos é de difícil captura. Ficam disperso nas organizações sem ordem ou estrutura. Ficam gravados em formatos diferentes com difícil indexação. O Prontuário Eletrônico facilita traduzir a informação do papel para o formato computadorizado usando também o formato de imagem e vídeo o que facilita a captura e armazenamento em relação ao papel.

O armazenamento do conhecimento digitalizado é feito na forma centralizada em uma “data warehouses”, geralmente na web (internet ou intranet). Pode ser repositórios, lessons learned, best practices e assim por diante. Deve ser evitado a saturação de informação. A grande quantidade de dados armazenados levou a criação do campo de “information retrieval” (IR) baseado na indexação.

Depois de armazenado, preferencialmente em uma central, o conhecimento tem que ser disseminado na organização. A segurança começa a fazer parte do processo. Os dados do Prontuário Eletrônico do Paciente não podem ser disponibilizados para todos, ou para pesquisa.

As informações podem estar disponíveis em vários formatos de visualização como gráfico e banco de dados. A maioria é baseada na web. Agentes de inteligência podem customizar a visualização evitando a saturação de informação. Os sistemas especialistas/sistemas de apoio a decisão podem ser usados para codificar a expertise/conhecimento.

Aplicação e Exploração

A aplicação do conhecimento é o último e mais importante estágio do KM. Apenas quando os novos conhecimentos são usados no processo de decisão clinica é que o conhecimento armazenado tem valor. As inovações têm que ser aprendidas e aplicadas.

A Medicina Baseada em Evidências se preocupa mais com o conteúdo e não com a aplicação enquanto os aplicativos de informática médica são os meios para aplicar o conhecimento na prática. Os Sistemas de Apoio a Decisão (SAD) (Clinical Decision Support System) e a Telemedicina são bons exemplos de aplicativos.

Os SAD não costumam ter muito sucesso por serem programas não integrados ao prontuário eletrônico. A tarefa extra de entrada de dados e até mesmo ter que ir para um local diferente onde o sistema está instalado é um desestimulo a sua utilização. Os SAD integrados ao Prontuário Eletrônico são exemplos de sucesso como o Prodigy usado pelos GPs britânicos. O “gatilho” para a sua utilização é a entrada do código da doença do paciente. Automaticamente fica disponibilizada uma lista de conselhos médicos e recomendação terapêutica baseadas em evidências para aquela doença. O médico pode ou não usar as recomendações.

A Telemedicina é outra ferramenta para melhorar a distribuição e até mesmo a criação de conhecimento. Outras tecnologias que podem ser aplicadas na fase de aplicação do conhecimento são Groupware, Intranet, ferramentas colaborativas (fóruns de discussão, videoconferências), Portals e Taxonomias. Outras ferramentas de KM que podem ser usada na aplicação são o datamining (SQL), DICOM, mapas de conhecimento (mostra conhecimento graficamente), agentes de inteligência, web browser, data warehouses, CPOE (entrada de dados estruturados) e E-Learning.

A tecnologia é reconhecida como apenas parte da solução dos problemas médicos. Um autor cita que os investimentos em tecnologia deve ser um terço do total dos gastos (ou esforço) com a Gestão do Conhecimento ou corre-se o risco de se perder no caminho.

Gestão do Conhecimento

5 de outubro de 2009

Fábio Castro

Um novo psiquiatra que apóia a região onde trabalho, apoiando várias equipes do PSF, criou uma lista de e-mail para trocar informações entre os profissionais sobre o acompanhamento dos pacientes. A gestão do Distrito ficou impressionada com a idéia. O que o psiquiatra estava fazendo era usar uma ferramenta simples de Gestão do Conhecimento (KM – Knowledge Management), chamado de Groupware (e-mail, Chat, wiki etc), mostrando o quanto o assunto é desconhecido.

A medicina sempre favoreceu os profissionais com boa memória, mas com a expansão do conhecimento médico uma boa memória cerebral deixou de ser uma vantagem. Ter capacidade de acessar o conhecimento rapidamente de outras fontes passou a ter um papel mais importante. As especialidades e sub-especialidades não são mais suficientes para garantir que um profissional tenha total conhecimento da sua área de atuação. Tirar dúvidas com outros profissionais do trabalho é um hábito com um entre os médicos. Com a Tecnologia de Informação é possível pensar em novos caminhos como no exemplo acima.

A Gestão do Conhecimento (vou usar a sigla KM) já é usada por outros empresas privadas. KM na saúde pode ser considerado como a confluência das técnicas e metodologias formais para facilitar a criação, identificação, aquisição, desenvolvimento, preservação, disseminação e utilização de várias facetas dos cuidados em saúde.

Considerem os dados abaixo:

– Existem cerca de 20 mil jornais médicos no mundo. – um professor de medicina gasta um dia por semana no seu campo para pesquisas e estudos.

– Na França existem sete mil precisões de drogas e os médicos podem prescrever todas elas (está familiarizado com todos?). Também existem 800 exames, mais de 1000 testes e imagem e 1.500 intervenções cirúrgicas.

– Outra fonte cita que existem 10 mil doenças e síndromes, três mil drogas, 1.100 testes de laboratório e 44.000 artigos publicados por ano. Na medicina interna são dois milhões de artigos disponíveis.

– As decisões dos médicos custam 3/4 dos gastos com saúde e dependem de KM.

– As fontes de informações são muitas, mas geralmente falham em fornecer respostas onde e quando são necessárias. O resultado é até 2/3 dos problemas na prática clínica não serem resolvidos. Para piorar o conhecimento pode estar desorganizado e velho.

– Nos EUA, em 2000, ocorreram 100 mil mortos por erro médico com um custou de US$ 37 bilhões sendo que 70% dos erros podem ser prevenidos ou evitados. – Os médicos usam dois milhões de peças de informações para gerenciar os pacientes.

– 1/3 do tempo dos médicos é usado para gravar e combinar informações e um terço dos custos de saúde são gasto com comunicação entre pessoal  médico.

– Estimasse que conhecimento médico cresça quatro vezes durante vida profissional do médico resultando na necessidade de meios para praticar medicina com qualidade com atualização constante. Outra consequência é a pressão para a especialização com o médico conhecendo cada vez mais sobre menos coisas.

O crescimento do conhecimento biomédico leva ao fato de ser impossível conhecer a área sem algum tipo de apoio e o KM é parte da resposta. O objetivo é reagrupar, incorporar e conectar o conhecimento médico para atingir decisões presente e futuro.

Exemplo Prático

O site do Clinical Information Access Program (CIAP) (http://www.ciap.health.nsw.gov.au/) australiano foi criado para os profissionais de saúde do país terem acesso a Medicina Baseada em Evidência. O site permite acessar informações sobre drogas, exames laboratoriais, linhas guias, livros de medicina, revistas especializadas, medicina baseada em evidencias etc.

O problema desse tipo de site é se preocupar mais com a confiabilidade que a usabilidade. No meu dia a dia fico sempre recebendo manuais e informes sobre problemas específicos. Fica tudo empilhado e quando preciso fica difícil de descobrir onde está a informação correta. Em uma ocasião me mandaram um diretório com arquivos para imprimir as notificações de Doenças de Notificação Obrigatória. O problema é que o nome dos arquivos eram siglas e a maioria difícil de descobrir o que tem dentro só pelo nome do arquivo. O outro problema era saber quantas vias imprimir, para onde mandar, informações ao paciente, quem e como contatar, etc. Poderiam ter usado a intranet já existente para organizar tudo. Então a usabilidade de um site nacional fica limitada por não poder entrar em tantos detalhes.

Um exemplo prático para resolver o problema seria dividir o assunto por capítulos relacionados com especialidades (dermatologia, cardiologia, infectologia etc). No caso de cada doença estariam os temas como linhas guias, informativos, etc, e no caso da infectologia o arquivos para imprimir e orientações.

A imagem abaixo é de um índice onde foi clicado no capitulo de infectologia, escolhido o menu de Tétano e no fim dos tópicos ficaria a opção “outros” onde estaria o link para abrir o arquivo da notificação para imprimir. Em poucos cliques do mouse eu teria a informação desejada.

Gestão do Conhecimento

Outro problema são os cartazes com informações pregados na parede. A intranet seria outro lugar para guardar as informações e até mais prático pois a distância em si já dificulta a visualização.

Os exemplos acima foram bem práticos e simples. Os software de KM pode ser do tipo baseado em biblioteca, Sistema de Informação Clínica, híbridos ou linhas guias informatizadas. Para ser efetivo deve estar integrados no Prontuário Eletrônico o que raramente acontece sendo geralmente do tipo “stand alone” como os exemplos citados.

No mercado internacional existem vários exemplos de software de KM médicos de vários tipos:

– Conteúdo clínico baseado em evidência (sintetizado) :  UP-to-Date, PDxMD, DiseaseDex.

– E-Textbooks : MD Consult.

– E-Journal : Roundsman.

– Formulário médico : WizOrder, MicroMedez, First DB.

– Banco de dados bibliográfico : PubMed, Medline Button, Ovid.

– Linhas Guias : PKC, Enigma.

– Diagnostico diferencial com inteligência artificial : DxPlain, QMR, MedWeaver.

– Educação do Paciente : Healthwise, KBIRs.

– Lembretes automatizados (baseado em regras) : Arden, IMKI.

O PRODIGY é um CDSS usado pelos médicos de família (General Practitioner) britânicos usando o modelo de linhas guias. Agora está sendo chamado de Clinical Knowledge Summaries:  http://www.cks.nhs.uk/clinical_topics/by_clinical_specialty/eyes

O Clinical Knowledge Summaries está disponível para acesso pelos pacientes sem necessitar de senha: http://www.cks.nhs.uk/patient_information_leaflet/anaphylaxis#-362116 ( o conteúdo médico só é possível visualizar com senha).

Outros países também têm bancos de dados de linha guias clínicas relacionados por condições clínicas: como o National GuidelineClearinghouse (www.guideline.gov) e o New Zealand Guidelines Group (www.nzgg.org.nz).

No Brasil uma iniciativa de KM é o Grupo de Estudos em Saúde da Família (http://www.smmfc.org.br/gesf/index.htm) que inclui ferramentas de Groupware com fórum de discussão: http://groups.google.com.br/group/acolhimento

Bibliografia:

Handbook of Research on Informatics in Healthcare And Biomedicine

Healthcare Information Systems and Informatics: Research and Practices

MEDINFO 2007 – Proceedings of the 12th World Congress on Health (Medical) Informatics

Medical Informatics: Concepts, Methodologies, Tools, and Applications