Archive for the ‘Prontuário Médico Orientado para o Problema’ Category

SISREG – Sistema de Regulação

21 de agosto de 2012

A regulação, ou o controle do acesso aos serviços de assistência a saúde, como consultas com os médicos especialistas, é um dos gargalos para o bom funcionamento do SUS. O SISREG, Sistema Nacional de Regulação, seria a ferramenta informatizada para controlar o sistema. Quem se interessar em conhecer e tentar entender como funciona é só ir ao link:
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=36608&janela=2

Em uma discussão na lista de discussão da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), o assunto foi posto como o centro da implantação do prontuário eletrônico. O link da lista é : http://groups.google.com/group/sbmfc?hl=pt-BR

Um SISREG com banco de dados nacional contaria com um identificador único do paciente que é o Cartão Nacional de Saúde. No caso da regulação, imagino que seria necessário um banco de dados nacional. Com o cartão nacional de saúde é possível ter um identificador único. Com a data do pedido e a especialidade já passa a ser possível transferir o pedido com o paciente mudando de cidade.

Um problema que o SISREG tem que resolver é a questão dos pacientes que consultam em várias cidades para ver em qual sai a consulta primeiro com o especialista ou consultam com vários especialistas para ter uma segunda opinião. O resultado é sobrecarregar o sistema. Com um banco de dados único vai ter que escolher um só lugar, com a diminuição da fila de espera.

O prontuário eletrônico pode guardar a lista de encaminhamentos para cada paciente ao trocar dados com o SISREG. O “mock-up” abaixo é um exemplo do ponto de vista do médico.

Em “1” seria a lista de problemas do paciente, no caso do prontuário orientado para o problema. Em “2” estão os problemas que tem pedidos de encaminhamento para o especialista. No caso foi pedido para mostrar “todos” os pedidos, mas o filtro pode ser por problemas como os encaminhamentos para asma, hipertensão etc.

Em “3” estão os dados dos encaminhamentos. A tabela mostra os encaminhamentos pedidos, ainda na fila de espera. As informações incluem quem pediu, quando e onde, dados clínicos e prioridade. Indicar a previsão da consulta seria interessante.

A lista de consultas agendadas permite fazer busca ativa para garantir que o paciente não falhe a consulta, o que é um problema comum. A lista de consultas realizadas pode ter um link para os dados clínicos com os dados entrados pelo especialista. A lista de consultas canceladas ou que o paciente faltou deve ser de conhecimento do paciente e que o médico tem acesso a estas informações.

A tabela foi criada a partir dos problemas. Junto com as informações de vários pacientes pode ser criada uma tabela semelhante com os dados da micro-área ou de toda a área de atuação. Um módulo de relatórios criaria um condensado das informações para ser usado no nível de unidade de saúde, distrito ou município. Dados ainda mais condensados podem ser usados a nível estadual ou nacional.

O nível de detalhes varia com o usuário das informações. A equipe trabalha com nome, dados clínicos etc. O gestor trabalha com números para planejar a contratação de profissionais ou pensar em alternativas como educação continuada para capacitar os profissionais da APS/PSF em resolver problemas simples que não deveriam estar sendo encaminhados aos especialistas.

Anúncios

Anamnese Automática no Prontuário Eletrônico

25 de janeiro de 2012

Fábio Castro

Já li vários artigos sobre anamnese automática integrada no Prontuário Eletrônico, mas nunca tive oportunidade para testar. Achei o vídeo abaixo no Youtube mostrando uma anamnese automática no prontuário Cerner. A ferramenta para criar as anamneses automatizadas (powernotes) parecem fáceis de usar, mas os dados não parecem gravados de forma “natural”.

Imagino que uma ferramenta semelhante ligada a um Prontuário Orientado ao Problema seja ainda mais prático com um link da anamnese aparecendo automaticamente, se disponível, para cada problema.

A ferramenta permite auxiliar o médico em várias tarefas durante o atendimento:

– Entrada rápida de dados. O médico ganha tempo usando alguns cliques ao invés de digitar várias palavras.

– Auxilia a memória – “acho que tem alguma coisa para perguntar para o paciente”.

– Checklist – “perguntei tudo que tinha que perguntar?”

– Estresse – Uma anamnese automática não “força” a memória do médico a buscar informações. Ler e clicar é bem mais fácil que pensar e digitar. No fim de um dia de trabalho pode fazer muita diferença.

– Auxilio a pesquisa – Os dados estão, de alguma forma, estruturados facilitando pesquisas posteriores.

Informatização do Registro Clínico Essencial para a Atenção Primária a Saúde: Um Instrumento de Apoio as Equipes da Estratégia da Saúde da Família.

26 de outubro de 2011

Fábio Castro

O título é uma tese de Mestrado do Dr. Angelmar Roman. Está disponível AQUI.

Roman testou um protótipo funcional de um Prontuário Eletrônico voltado para a Atenção Primária. Na tese foi mostrado que um Prontuário Eletrônico ligado a um Sistema de Apoio a Decisão (SAD) pode diminuir os gastos com saúde em cerca de 40%. O SAD usado era uma linha-guia resumida indicando a melhor conduta para doenças cardiovasculares.

O Prontuário Eletrônico usado era baseado no SOAP com cada problema sendo evoluído de forma separado. A abordagem usada foi usar campos codificados em cada divisão do SOAP. O objetivo, segundo o autor, é evitar que informações de problemas crônicos fiquem perdidas no meio de problemas comuns. Citou como exemplo uma glicemia de um diabético que fica no meio de uma evolução de um problema agudo como um resfriado. Com a codificação e a separação dos problemas é possível resgatar facilmente os dados de um problema de cada vez.

A interface abaixo é o SOAP do Prontuário Eletrônico usado com os problemas codificados e os dados clínicos do lado.

O objetivo da abordagem usada é apoiar a coordenação do cuidado que segundo o autor “é a organização sistemática das informações da saúde do paciente, formando um todo histórico e coerente para formação da imagem clínica da pessoa sob cuidado. Essa imagem clínica é que vai subsidiar a tomada de decisão para cada queixa. A essência da coordenação é a disponibilidade de informações a respeito de problemas e serviços anteriores e o reconhecimento daquela informação, na medida em que está relacionada as necessidades para o presente atendimento. É, portanto, uma questão de gestão clínica, que dá base par tornar concreta a integralidade e a longitudinalidade”.

Compartimentalizando as informações de um problema também facilita a criação de um sistema de informação para o individuo. O sistema de informação usado atualmente na APS, o SIAB, foi criado para auxiliar o gestor sendo pensado na população e não no indivíduo.

Além de mapear os agravos de uma população passa a ser possível sistematizar para ter controle do resultado. Roman usou uma classificação de risco cardiovascular pois a meta do tratamento pode variar de um paciente para outro.

Roman divide os indicadores em indicador de processo e de resultado. Um indicador de processo mostra se o médico seguiu um protocolo como pedir os exames recomendados. Um indicador de resultado indicaria se os exames estavam dentro do valor ideal. O objetivo é evitar, por exemplo, usar dados sobre mortalidade para saber se o trabalho está indo bem.

O Prontuário Eletrônico não era um modelo completo. Não tinha modulo de agendamento, prescrição de receitas, exames etc. Mas era possível cadastrar pacientes, criar uma lista de problemas, criar um genograma e usava o CIAP2 para codificar as doenças além de estratificar o risco cardiovascular. Uma linha-guia era disponibilizada para o problema.

Na conclusão é citado que a aderência e a execução cuidadosa de recomendações de uma linha-guia seria mais importante que a forma como são elaboradas.

A interface abaixo é uma lista de tarefas criada para o problema cardiovascular. Os dados são divididos em tarefas com cores indicando se foram completados ou não. Nunca vi um Prontuário Orientado por Tarefa e acho que é um bom exemplo.

A Interface abaixo é da linha-guia integrada no programa.

Favoritos no Prontuário Eletrônico

27 de abril de 2011

Fábio Castro

Todo mundo deve ter uma lista de Favoritos no seu Browser. Quando liga o computador o usuário vai direto nesta lista de favoritos para ir aos seus sites favoritos sem ter que perder tempo digitando o link, lembrando o endereço ou fazendo buscas.

A prática da Medicina também tem seus exemplos de “favoritos”. Um bom exemplo pode ser uma lista de CIDs, medicamentos ou exames que são mais usados. Um exemplo pode ser um plantão de pronto atendimento. Os CIDs das doenças mais comuns em um PA podem estar listados em uma folha para facilitar a busca. O mesmo pode acontecer com as medicações e exames disponíveis no serviço. A lógica serve para qualquer especialista. Um oftalmologista usa, na maioria das vezes, os códigos do CID relacionados com a sua especialidade e mesmo assim apenas uma parte é usada com mais frequencia.

Na Atenção Primária a Saúde (APS) foi criada a Codificação Internacional da Atenção Primária (CIAP) para complementar o CID 10. O CIAP funciona como um favorito por listar os problemas mais comuns encontrados na APS (incidência maior que 1 por 1000 na população). Para o resto continua sendo usado o CID.

A interface abaixo é um exemplo do uso do CIAP em um Prontuário Eletrônico que usa o conceito de Prontuário Orientado para o Problema com Lista de Problemas (clique nas imagens para aumentar de tamanho). O profissional clica na primeira coluna para escolher o sistema (foi escolhido o sistema hematológico – B de blood); depois foi escolhido procedimento (2); e apareceu uma lista dos problemas mais frequentes.

Para quem se interessar em ver como funciona é só clicar no link: http://icpc2.danielpinto.net/A/

Depois de definido o diagnóstico o profissional pode querer prescrever alguns exames. A interface abaixo mostra um modelo de favoritos para escolha de exames para um problema (no caso foi selecionado o problema ASMA). Na primeira coluna estão os exames geralmente pedidos durante um atendimento da asma. Na segunda coluna fica outra lista de exames mais pedidos e não todos os exames pois a lista seria muito grande. Na terceira coluna tem um exame agrupado com todos os exames usados para o diagnóstico diferencial da Asma que podem ser pedidos com poucos cliques. O Prontuário Orientado para o Problema facilita criar a lista de exames para cada problema.

Pedir medicação segue a mesma lógica. Na interface abaixo a primeira coluna lista as medicações disponíveis na farmácia do SUS. As cores indicam se estão disponíveis no estoque (verde) ou não (vermelho). É um fator de decisão importante na decisão dos médicos que trabalham na PSF. Na segunda coluna estão listados todos os medicamentos usados no tratamento da Asma (nem todos). Os medicamentos disponíveis para serem comprados na farmácia popular também estão marcados (a lista é fictícia). A terceira coluna mostra modelos de prescrição já prontos onde com poucos cliques é possível criar uma prescrição para o problema Asma. Novamente o Prontuário Orientado para o Problema facilita criar a lista de medicação para cada problema.

Outras tarefas de um Prontuário Eletrônico também seguem a mesma lógica. Pedir um encaminhamento para um paciente com Asma na grande maioria das vezes será para um Pneumologista. Ao se pedir atestado médico será na maioria das vezes por um dia então tem que ter esta opção já pronta. Os lembretes e sumários são outros exemplos de favoritos, mas para mostrar os dados que devem ser visualizados com mais frequencia. A Lista de Problemas da interface dos exemplos anteriores também é um exemplo de favorito pois só mostra os problemas principais e esconde os menos importantes.