Archive for the ‘Prontuário Pessoal de Saúde’ Category

Carta SUS digital

4 de setembro de 2012

No último domingo o Fantástico mostrou uma reportagem sobre fraudes no SUS:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1681664-15605,00.html

Foi citado também fraudes com a Farmácia Popular. Foi citado que o Departamento de Assistência Farmacêutica tem doze funcionários sendo três para conferir documentação da Farmácia Popular.

No site do ministério é possível ver um software de assistência farmacêutica chamado HÓRUS – Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica :
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1675

Uma olhada rápida permite perceber que não foi criado para ser usados nos serviços privados que atuam com os medicamentos da Farmácia Popular. O diretor do DAB citou no Twitter que uma solução será o Sistema Farmácia Popular, mas não encontrei nada no google. Também citou a Carta SUS que é enviada ao paciente para conferir sobre internações. A reportagem cita pacientes que foram questionados sobre internações, mas citam apenas atendimento ambulatorial.

Os gastos com a Farmácia Popular em 2013 está estimado em R$ 2 bilhões. Supondo 10% desviado para fraudes, cerca de R$ 200 milhões, dá e sobra para criar softwares para distribuir para as farmácias (dispensação dos medicamentos), médicos (prontuário eletrônico) e pacientes (prontuário pessoal de saúde) para fazer auditoria eletrônica. A economia com a diminuição das fraudes poderia viabilizar facilmente toda a informatização do SUS.

A interface abaixo é do Facebook com um mock-up da CartaSUS digital. Claro que só o paciente veria o conteúdo da carta. Após comprar um medicamento, a Farmácia colocaria os dados no computador. Com o número do Cartão Nacional de Saúde do paciente seria enviado automaticamente a mensagem para o Facebook do paciente, caso o paciente use o sistema. A ferramenta faria parte de um Prontuário Pessoal de Saúde.

Clique na Imagem para ampliar

O prontuário eletrônico, pelo menos os usados pelos médicos do SUS, permitiria indicar se a medicação foi prescrita e evitar que seja fornecida várias vezes ou em vários estabelecimentos.

A limitação da Carta SUS digital é o acesso dos pacientes a informática, mas um tablet dos Agentes Comunitários de Saúde faria a mesma função assim como o atendimento informatizado feito pelas Enfermeiras antes da consulta com o médico.

Carta Aberta da ABRASCO

30 de novembro de 2011

A ABRASCO (Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva) enviou uma carta aberta para o Ministro de Saúde sobre política de Tecnologia de Informaçaõ (TI) no SUS. A carta está disponível no link: Carta Aberta

A carta trata basicamente no uso de software de uso privada e público. Cita que o governo está priorizando o uso de software de empresas privadas considerando que as instituições públicas não tem capacidade de desenvolver. Cita até exemplos de softwares públicos que tiveram sucesso para mostrar que não é uma verdade absoluta.

O desenvolvimento do CNS foi dado pela ABRASCO como exemplo de fracasso de um sistema desenvolvido por empresas privadas. O uso da classificação de risco de Manchester é outro bom exemplo. Foi criado para serviços de urgência e emergência e foi escolhido pelo Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais para uso, também, nas equipes do PSF, um serviço tipicamente ambulatorial. A reação dos profissionais está sendo altamente negativa. O custo do contrato é bem suspeito.

Softwares desenvolvidos para a realidade de serviços privados podem ser até nocivos quando usado no serviço público onde a carência de recursos e a diferença entre os usuários pode ser gritante. Falta de papel ou cartucho para impressora pode ser um bom exemplo (se a equipe do PSF tiver um médico para usar).

As empresas privadas desenvolvem softwares com objetivos limitados para diminuir os custos e riscos de desenvolvimento. O resultado são softwares limitados que não respondem a maioria dos problemas encontrados na Atenção Primária a Saúde (APS).

Um software para a APS deveria considerar a integração de vários sistemas:

– Prontuário Eletrônico. Costuma ser o produto mais vendido. A grande maioria dos produtos trabalha com a internet, mas na APS tem que considerar locais onde não existe internet ou é muito lenta, o que não é típico de serviço privado.

– Sistema de informação. Um serviço privado se preocupa com pagamento (TISS) enquanto a APS lida mais com dados epidemiológicos. Os Sistemas de Informação também costumam ser voltados para os interesses do gestor e não das equipes do PSF.

– Sistemas de Apoio a Decisão. Sempre foi uma grande promessa, mas o desenvolvimento e aceitação sempre foram os grandes limitadores. Para ter sucesso tem que ser direcionado para o contexto da APS.

– PSF Móvel. Informatizar o trabalho dos ACS, e de outros profissionais trabalhando fora da unidade de saúde, tem um grande potencial, mas é um trabalho desconhecido e pouco valorizado.

– Educação Permanente. Está na pauta do Ministério da Saúde pois um dos grandes problemas da APS é a capacitação de um grande número de profissionais.

– Prontuário Pessoal de Saúde. É um serviço pouco conhecido e até com limitações de uso pela população. Não é considerado pelos desenvolvedores e gestores.

Um software que integra todos estes recursos, com qualidade, tem um risco muito grande de falhar e o custo pode estar fora da realidade da maioria das empresas de software. O financiamento com recurso público seria necessário.

Falta de Investimento

O problema pode ser uma questão de investimento insuficiente. O uso de software privado poderia ser uma alternativa temporária até que softwares realmente adequados, públicos ou privados, se tornem uma realidade. A solução seria investir pesado em pesquisa. Começaria mesmo na base da tentativa e erro.

A ABRASCO já mostrou que está interessada no assunto e pesquisas sobre o assunto são uma forma de dar base a novas discussões. As perguntas podem ser simples como “o que este software tem/faz que ajuda os médicos no trabalho na APS?” ou “o que falta neste software para ajudar os médicos no trabalho na APS?”.

Outra solução pode ser investir em ensino com cursos específicos para profissionais de saúde e TI na área de Informática em Saúde. Até mesmo os gestores precisam ser capacitados para poderem tomar decisões.

Test Drive do Google Health

5 de abril de 2011

Fábio Castro

No post anterior foi criado um exemplo de Prontuário Pessoal de Saúde. A idéia não é nova pois já existem programas semelhantes. Um bom exemplo é o Google Health:

Não considero o Google Health ideal para o SUS pois não foi considera que o paciente esteja cadastrado em uma equipe do PSF o que inviabiliza várias ferramentas como as já propostas no post anterior.

As ferramentas disponíveis no Google Health são exemplos do que é possível ter em um Prontuário Pessoal de Saúde (Clique nas imagens para ampliar).

Na barra de ferramentas superior existe a opção de fazer download dos dados para um arquivo em PDF. O arquivo pode ser usado para salvar os dados ou imprimir/enviar para um profissional de saúde. A opção “share” permite citar os emails de quem poderá acessar o arquivo. O email cadastrado no Google é um deles então os outros profissionais também tem que estar cadastrados no Google. 

Na barra da esquerda tem opção para escolher o meio de enviar alertas e notificações de segurança (email), marco por uma caixa amarela, e a opçao de adicionar contatos médicos como mostrado na interface abaixo.

Na barra da direita existe uma ferramenta para trocar dados com outros prontuários eletrônicos e serviços de informações médicas. Na verdade só lista os Prontuários Eletrônicos sem ter nenhuma interação.

A coluna central tem várias opções para adicionar dados: Problemas, Medicações, Alergias, Exames, Procedimentos, Vacinas, Convênios e Arquivos. A interface abaixo usada como exemplo tem campos já preenchidos.

A interface abaixo mostra duas imagens sobre como os campos são preenchidos com dados estruturados.

Existem ferramentas para controle de dados como peso, sono, pressão arterial etc. Podem ser adicionados mais dados depois que aparecem em forma de gráficos na página principal. Na interface de peso existe a opção de colocar os dados na forma gráfica e usando a linha do tempo. São dados de interesse para o médico visto que no consultório só se tem uma visão momentânea do dado.

O Google Health é gratuito para quem usa e os ganhos do Google vem na forma de propagandas. Qualquer um pode se inscrever e usar. O que eu criei ainda não apareceu nenhuma propaganda, mas imagino que se eu adicionar um problema, como Disfunção Erétil, vai aparecer propaganda de medicações sobre este problema. Estou sempre recebendo Spam de Viagra.

SUS BOOK – Prontuário Pessoal de Saúde

23 de março de 2011

Fábio Castro

O paciente é um dos recursos de saúde menos usados pelo sistema de saúde. Um paciente gasta apenas algumas horas por ano com o médico, mas gasta o dia inteiro, durante todo o ano, cuidando de si, seja tomando medicações, seguindo orientações, se alimentando corretamente (ou não), dormindo adequadamente, fazendo atividade física, controlando vícios etc. A participação do paciente está sempre presente na forma de tomada decisão, autocuidados e práticas colaborativas. Uma ferramenta de Informática Médica para apoiar o paciente a cuidar da sua própria saúde é o Prontuário Pessoal de Saúde.

Interface de um Prontuário Pessoal de Saúde do SUS

A interface mostrada abaixo é um exemplo de como seria um Prontuário Pessoal de Saúde do público. Foi chamado de SUSbook por ter ser uma cópia do Facebook (Clique na imagem para aumentar de tamanho).

Um Prontuário Pessoal de Saúde inicia com o paciente se cadastrando (editar meu perfil). O paciente indica seus dados demográficos. Depois de entrar os dados do seu endereço é possível saber qual é a sua nova equipe do Programa de Saúde da Família (PSF). Se o paciente estiver mudando de endereço poderá saber qual será a sua nova equipe do PSF. Os números em vermelhos é uma indicação da legenda abaixo.

1 – Na opção “minha equipe” estaria disponíveis o endereço onde a equipe atua, os profissionais da equipe (com foto) e dados sobre o funcionamento da equipe (agendamento, acolhimento, horários, serviços disponíveis etc). Pode saber pela foto quem será seu ACS que irá visitá-lo.

2 – Na opção “meus problemas de saúde” a lista de problemas pode ser criada pelo médico ou algum profissional de saúde. Preferivelmente deveria ser criada pelo prontuário eletrônico ou corre o risco de duplicar trabalhos e por isso ser até evitado. O paciente também teria como adicionar problemas de forma não estruturada ou estruturada (vícios, por exemplo). Os médicos dos serviços de urgência poderiam ter acesso fácil a estes módulos com senha especial.

Cada problema pode ser seguido de várias ferramentas para auxiliar o paciente a se autocuidar. As ferramentas estariam relacionadas com a educação do paciente como textos, fotos e vídeos.

3 – Na opção “meus medicamentos” ficam relacionados as medicações em uso pelo paciente ou que já foram usadas. Pode incluir alergias e efeitos colaterais. Dados de bulário e dicas para uso podem estar disponíveis. Novamente é uma lista de interesse para os serviços de urgência.

Dados mostrados em forma de gráfico, tabelas ou listas podem mudar muito estratégia de tomada de decisão do paciente. A prescrição de medicação é difícil para o paciente ler. Então o Prontuário Pessoal de Saúde pode mostrar as medicações de outra forma na tela em um formato diferente da prescrita para responder as necessidades administrativas da farmácia, mas em um formato fácil de ser entendido pelo paciente.

4 – Na opção “meus exames” podem ser listados os resultados de exames que o paciente já realizou. Trocar dados com o prontuário eletrônico seria ideal. Alguns exames realizados em casa poderiam ter seus dados disponibilizados para o médico como a glicemia capilar.

5 – Na opção “meus tratamentos” podem estar listados os tratamentos que o paciente realiza como fisioterapia, nutricionista, odontologia, psicólogo etc.

6 – As “minhas consultas” são encontros que o paciente teve com vários serviços de saúde. Em todos podem estar listados automaticamente com os dados entrados pelo prontuário eletrônico. Então o paciente pode entrar os dados pelo computador.

7 – A opção “minha saúde” estaria relacionada com a educação em saúde como o que deve saber e se informar, como dormir, se alimentar, atividade física e alimentação. Pode ser na forma de textos, imagens e vídeos.

Os médicos têm pouco tempo para explicar problemas e dar orientações aos pacientes. Então a consulta pode continuar pela internet sendo mais detalhada e até de forma repetitiva, em vários formatos como texto, imagem e vídeos. Pode ser interativo ou como uma cópia de material impresso. Também pode considerar o contexto local como favela, comunidade indígena, comunidade rural etc, ou o contexto pessoal como paciente idoso, grávida, adolescente etc. O conteúdo pode ser escrito por profissionais ou autoescrito. No caso de crianças pode as informações podem ser disponibilizadas na forma de jogos educativos.

8 – A opção “meus grupos” está mais relacionados com fóruns e grupos de discussão que o paciente pode entrar. O grupo está relacionado com alguma doença que o paciente tenha. O grupo pode ser local (equipe) ou de maior abrangência (até nacional). Estes grupos são muito úteis para o caso de doenças raras onde os participantes trocam idéias e informações.

9  e 10 – As opções “Estou com problema” e “urgência e emergência” estão relacionados com problemas agudos. O paciente passaria a ter acesso a informações sobre como proceder em caso de algum problema agudo. As informações podem ser por chat, email, mensagem e até indicar um telefone. Poderia ser uma escala de classificação de risco por sintomas preenchido pelo próprio paciente.

11 – A ferramenta “acessos” é um controle que o usuário pode ter sobre quem e quando seu prontuário pessoal foi acessado. É uma forma do próprio usuário fiscalizar e controlar o acesso. No caso dos profissionais da sua equipe a permissão de acesso é automática assim como a de médicos da urgência.

O “SUSbook” teria muita restrição de acesso, mas nada impede que tenha uma área pública para postar notícias curtas como o Twitter. Um exemplo da utilidade desta ferramenta seria o episódio recente do terremoto no Japão com o SUSbook sendo usado para conferir a situação do paciente. Como existe uma relação com o endereço então poderia ser criado busca automática com resposta automática para quem estiver procurando notícias dos parentes.

Gestão de Conteúdo

Na coluna central da interface ficaria o conteúdo dinâmico que pode ser atualizado. Como default são mostrados as notícias. No caso do nosso paciente está indicado que o médico da equipe está de férias e poderiam ser adicionadas mais informações sobre como proceder (item 12).

Os funcionários da recepção do centro de saúde vão gostar que os pacientes deixem de procurar a unidade para saber se os seus exames estão prontos ao pesquisarem na internet (item 13).

Um problema comum é o paciente ficar sem medicação e usar a falta de medicação como desculpa para conseguir uma consulta mais rápida. Novamente vai ter uma ferramenta para diminuir este problema (item 14).

A opção de escolher se vai poder ir ou não a uma consulta com o especialista pode viabilizar o conceito de Prontuário Pessoal de Saúde. Em algumas especialidades os pacientes chegam a faltar em 50% das consultas. A solução pode ser contratar mais especialistas ou criar processos que diminuam as faltas. Os pacientes vão gostar de remarcar a consulta para uma data mais apropriada, sem serem penalizados, ou indicar que o problema foi resolvido ou não precisam mais (item 15).

O paciente teria controle sobre quem acessou seu Prontuário Pessoal de Saúde. Pode ter a opção de denunciar sendo que quem acessa prontuários estaria sendo suspeito de abusos (item 16).

O Prontuário Pessoal de Saúde também poderia ter ferramentas para viabilizar o pagamento por desempenho. Um profissional pode simplesmente entrar o nome de um paciente e simular uma consulta. Então o paciente passa a ser uma fonte para indicar uma possível fraude. Erros repetitivos seriam bem sugestivos de abuso (item 17).

Anúncios

Adicionei uma ferramenta para entrada rápida de dados como a glicemia capilar (item 18). Aparelhos portáteis como o glicosímetro já estão sendo distribuídos a população. O acesso a esfigmomanômetros automatizados pela população também está ocorrendo. Os dados poderiam ser disponibilizados diretamente no Prontuário Eletrônico e criar alertas se os dados estiverem muito alterados. Podem até sugerir alterações na medicação como ajuste de dose de insulina ou caso ocorra hipoglicemia.

O monitoramento remoto é a captura de dados paciente vitais fora sistema saúde. Mudanças nas condições do paciente sempre ocorrem entre os encontros e podem ser detectados medindo alguns parâmetros. Se tratados rapidamente podem melhorar as condições do paciente. Funciona bem para o gerenciamento e pouco para o diagnóstico e com doença crônicas.

Existem vários tipos de anúncio que podem ser úteis para o paciente (item 19). Alguns são locais como os serviços disponíveis para a população como os citados na interface.

Riscos

A charge abaixo é uma boa indicação que o Prontuário Pessoal de Saúde pode ter sucesso.

As mídias sociais são muito eficientes em criar vício nos seus usuários. Por outro lado o PHI não é bem uma mídia social apesar de ser bem parecido. O paciente pode não aceitar por ver risco da perda de privacidade. Pode ter dificuldade para entender o funcionamento. No caso do SUS a limitação é a dificuldade de acesso da população e até o analfabetismo. O acesso a computadores e internet está se tornando cada vez maior com a redução do custo do hardware.

Segurança de Acesso ao Prontuário Eletrônico

21 de abril de 2010

Fábio Castro

Uma característica dos Prontuários Eletrônicos com acesso a bancos de dados na Internet, ou até em um servidor local, é a facilidade de acesso aos prontuários dos pacientes pelos médicos, mas também por pessoal não autorizado e até com más intenções.

Os dados que podem ser acessados no Prontuário Eletrônico podem variar desde dados sem importância como dados vitais como pressão arterial, peso, temperatura etc, até dados sensíveis como aborto, problemas psiquiátricos, sexuais, DST, HIV e uso de drogas. Todos estes dados são confidenciais.

O Prontuário Eletrônico deve respeita a privacidade que é o desejo do paciente de controlar seus dados. O Prontuário Eletrônico também deve ter capacidade de preservar a confidencialidade que é a capacidade de liberar as informações de saúde do paciente apenas para pessoal autorizado.

A segurança de acesso é feita com autenticação, com login e senha, e a autorização (só busca dados de seus pacientes) seria o mínimo para o controle dos dados.

O próprio paciente pode ter meios de controlar quem está acessando seu Prontuário Eletrônico através do seu Prontuário Pessoal de Saúde. O Prontuário Pessoal de Saúde pode listar os profissionais que acessaram o Prontuário Eletrônico com dados sobre quem, quando, o quê fez (quais partes do prontuário acessou), por quanto tempo, onde estava (hospital, centro de saúde etc) e o que imprimiu. Pode até ser uma janela tipo “pop up” alertando sobre um acesso. Depois o Prontuário Pessoal de Saúde indica as condutas que paciente pode tomar como notificar por e-mail, telefone ou ir à policia.

Um tipo de alerta comum serão os acessos ao paciente errado o que é relativamente comum. Pode entrar o nome errado (Luiz ao invés de Luis), número do prontuário errado, ou clicar no paciente errado em uma lista. Estes acessos incorretos serão bem rápidos com o médico saindo rápido do prontuário e pode até deixar uma mensagem como “acesso errado”.

No PSF seria até normal o acesso ao Prontuário Eletrônico sem uma consulta médica, por algum membro da equipe, principalmente o médico ou o enfermeiro. Pode ser para consultar algum dado, discutir e anotar dados em uma reunião de equipe, avaliar exames laboratoriais, ações de vigilância etc. Como o médico do PSF tem uma lista de pacientes estes acessos nem resultariam em alerta. O que interessa então é vigiar os acessos indevidos.

Uma boa ferramenta para evitar acesso indevido pode ser a biometria. O consultório ou local onde se acessa os Prontuários Eletrônicos teriam mecanismos para leitura de impressão digital, reconhecimento de voz ou de face.

Os monitores de notebook costumam ter uma câmera de TV embutida voltada para quem está olhando para a tela. Em um computador tipo desktop pode ser câmera externa, também usada para outras funções como tirar foto do paciente, ou fotografar informações clínicas (Dermatologia principalmente). A imagem de quem acessou pode até ser enviada para o paciente junto com a foto do responsável pelo login e senha que está sendo usado.

As ferramentas de detecção de impressão de digital podem ser usadas para indicar que o médico e/ou o paciente está presente e confirmar a identificação. Pode ser usado para mostrar que o acesso foi fora do local ou horário de atendimento normal. O problema é que só funcionaria em um computador com mecanismos de biometria sendo que o médico do PSF poderia acessar os dados dos seus pacientes quando quiser. Pode ser, por exemplo, para estudar um caso mais complicado em casa.

As limitações das idéias acima seriam a dificuldade de implantar um Prontuário Pessoal de Saúde para toda a população usuária do SUS e os custos relacionados (mas nem tanto).

Prontuário Pessoal de Saúde

5 de novembro de 2009

Fábio Castro

O desenvolvimento da Telemedicina é dividida em três fases. A primeira onda foi ligar pontos separados para a aplicação de telecirurgia invasiva. A segunda onda consiste em usar uma rede digital para consulta virtual incluindo diagnostico médico. A terceira onda, mas recente, consiste no empoderamento do paciente com conhecimento médico para atingir melhores resultados nos cuidados de saúde. Está terceira onda gerou o Personal Health Informatics (PHI).

Nos países desenvolvidos os médicos já citam que os pacientes têm acessado a internet para se informar sobre seus problemas de saúde com bons resultados. Cerca de 117 milhões de americanos pesquisam saúde na internet sendo 85% antes de ser consultado. Fora dos EUA este uso da internet cresce mais lentamente.

Quando a Medline foi aberta ao publico em geral os acessos subiram de 7 milhões em 1996 para 120 milhões em 1997. Foi estimado que a maioria era de não médicos. Esta atividade tende a balancear a relação com médico e leva até a conflitos como no caso dos cibercondríacos que podem desafiar os médicos com informações baseadas em evidências da internet. Os pacientes até imprimem paginas da internet para discutir com o médico.  

Prontuário Pessoal de Saúde no PSF

Uma das ferramentas do PHI é o Prontuário Pessoal de Saúde (Personal Health Record – PHR). Um PHR é uma fonte de informações em saúde necessárias para um paciente, disponível universalmente de forma eletrônica, com o objetivo de ajudar os pacientes a tomar decisões em saúde. O paciente é o proprietário e gerencia o PHR que também fica disponível para os serviços de saúde. O paciente determina quem tem direito de acessar o PHR. O PHR é separado do prontuário eletrônico e não o substitui legalmente (AHIMA, 2005).

A seguir serão mostrados como um Prontuário Pessoal de Saúde pode ser útil para as equipes e pacientes do PSF. As ferramentas estão disponíveis em vários modelos de Prontuário Pessoal de Saúde, não todos no mesmo Prontuário Pessoal de Saúde, e em alguns casos o exemplo foi adaptado para a realidade do PSF e já considerando novas possibilidades.

Um objetivo do Prontuário Pessoal de Saúde, como já citado na introdução, é melhorar o acesso a informação médica pelos pacientes com uma enciclopédia de saúde. Com a lista de problemas criado por um Prontuário Orientado por Problemas o paciente tem acesso as informações necessárias praa cada problema como descrição da doença, as medicações que usa, bulário das medicações, informações, cuidados, prevenção, etc. As informações sobre os problemas específicos do paciente ficam disponíveis automaticamente. A literatura médica está disponível principalmente em inglês e mesmo em português a linguagem técnica pode ser difícil de entender. Então a enciclopédia de saúde tem uma linguagem simplificada e ainda pode ser direcionada para os interesses das equipes do PSF.

O conhecimento enciclopédico pode estar disponível separadamente em Portais na web. O termo Portal é usado por ser dinâmico enquanto um site é estático. Podem ser Portais genéricos ou específicos para uma doença. O objetivo é diminuir o efeito colateral das informações disponíveis da web. É difícil saber a origem da informação, o usuário podem não ter meios para fazer julgamento, pode levar a diagnóstico errado, pode seguir conselhos errados, pode ser influenciado por interesses dos laboratórios farmacêuticos e a abundância de informação resulta em muito tempo gasto até encontrar as informações adequadas.

Os Portais podem agregar informações de várias fontes e deixar disponível para todos os usuários. De certa forma protege do caos da internet e direciona para objetivos já conhecidos. Alguns Portais são usados para promoção a saúde com tutoriais ensinando o paciente a parar de fumar e gerenciamento de peso para idosos. No PSF seria necessário certa integração. O médico pode receber informações no PEP que o paciente acessou alguns tutoriais e participar do processo.

Os links abaixo são exemplos de Portais com conhecimento enciclopédico:
Health Central
PlanetRx.com   (tem conteúdo comercial indicando como eram os Portais iniciais voltados mais para o e-commerce)
Health Smart  (conceito de Health Smart na visão do governo australiano)
Clinical Knowledge Summaries   (governo britânico)

A criação de um “SUStube” com vídeos seria a próxima evolução. Poderia ser na forma de informações sobre como usar medicação inalatória ou aplicar insulina.

Um Prontuário Pessoal de Saúde integrado com o Prontuário Eletrônico permite acessar informações do prontuário, exames laboratoriais, dados de vacinação e medicações. Para cada um dos exames ou medicações haveria uma explicação em linguagem simples, como já citado, como bulários e informações sobre doenças.

O Prontuário Pessoal de Saúde pode diminuir a barreira entre o médico e uma segunda opinião. No PSF o paciente está, de certa forma, obrigado a ser atendido por um único médico a não ser o caso de pacientes que consultam em equipes de cidades diferentes.

O Prontuário Pessoal de Saúde permite criar novas formas de comunicações entre os usuários e os serviços de saúde, principalmente os profissionais das equipes do PSF. Os novos meios de comunicações como e-mail, chat, MSN e Portais podem ser usados para marcação de consultas e tirar dúvidas. O paciente pode ver avisos da sua equipe do PSF informando sobre orientações para marcar consultas, agenda dos profissionais, avisos como férias, cursos onde haverá profissionais ausentes evitando que os pacientes procurem o serviço de saúde desnecessariamente.  

Uma consequência nas novas formas de comunicação, e acesso, é ser uma opção mais barata que ir ao médico. Seria mais usado por pacientes que moram longe do serviço ou com consultas de problemas simples e que não requerem uma consulta médica. Um paciente pode necessitar apenas de orientações sobre problemas simples como, por exemplo, o que fazer em caso de criança com constipação intestinal (dieta por exemplo). Se não resolver então seria orientada a procurar os serviços de saúde. A economia seria mais evidente no caso de consultas particulares ou convênios e no PSF seria mais para ganhar tempo para o paciente e para a equipe. Um efeito colateral é ser um novo meio para quem tem vergonha de ir ao médico e conseguir uma resposta de forma anônima.

O Prontuário Pessoal de Saúde pode ser usado para dar alertas online, avisos de serviços como a necessidade de uma nova consulta, vacinação, pegar resultado de exames e renovar medicação. O alerta pode ser iniciado pela equipe ou o próprio Prontuário Pessoal de Saúde identifica uma necessidade automaticamente. Essa ferramenta evitaria uma boa parte das consultas por  Síndrome de RIV (conjunto de sinais e sintomas que o paciente inventa para no final pedir para o médico renovar a receita de RIVotril – ou outra medicação).

O Prontuário Pessoal de Saúde deve ter ferramentas para criar novas oportunidades para o paciente de encontrar outros usuários e se integrar com a comunidade de apoio como chat do grupo de paciente e fóruns de discussão. Uma busca com o termo “Síndrome de Down” no Orkut irá mostrar várias comunidades a respeito onde o paciente pode encontrar apoio de outras pessoas com o mesmo problema (os familiares) e trocar experiências.

Não se aplica ao PSF, mas em outros países o Prontuário Pessoal de Saúde também é usado para controle de pagamento e checar contas. Outras questões relacionadas com o Prontuário Pessoal de Saúde é a interoperabilidade e portabilidade, e garantir a segurança e privacidade.

Interface do Prontuário Pessoal de Saúde

No PSF o Prontuário Pessoal de Saúde teria uma interface semelhante ao Prontuário Eletrônico. Os alertas e lembretes são ferramentas semelhantes as já disponíveis para os médicos. Já estar cadastrado com uma equipe do PSF facilita a maioria das ferramentas citadas. Um prontuário eletrônico baseado no POP (prontuário orientado para o problema) já seria um primeiro passo para a troca de informações com o sumário e listas de problemas, tabelas de exames e de medicação.

O MEDFUSION e o MyPHR são exemplos de PHR baseados na internet.

As Interfaces Gráficas abaixo são exemplos de PHR.        

phi1

phi2

Um prontuário eletrônico tem um módulo de agendamento onde o paciente encontra informações sobre como agendar consultas, e enviar mensagens para tirar dúvidas sobre os sintomas. É o local onde receberia alertas sobre consultas periódicas ou renovação de receita. Também receberia alertas do Formulário de Manutenção de Saúde em relação a idade ou patologias.

O equivalente da anamnese e exame físico seria a possibilidade do paciente poder entrar dados como queixas e dados que podem ser aferidos em casa como glicemia capilar e pressão arterial. Os dados serão depois visualizadas pela equipe, durante a consulta ou com alertas automáticos em caso de alterações.

Na ficha de prescrição o Prontuário Pessoal de Saúde lembra o paciente de tomar medicação, dá alerta de horários e informações sobre as medicações. Uma ferramenta já em uso é usar alerta por telefone ou mensagem por celular sobre a medicação. Para quem tem problemas de memória pode anotar quando tomou a medicação para não repetir.

Enquanto o médico usa o PEP para pedir exames laboratoriais o paciente pode visualizar os resultados e até anotar os resultados de exames realizados em outros serviços. Também pode anotar alergias, vacinas, cirurgias, internações e história familiar.

O Prontuário Pessoal de Saúde pode ajudar o paciente em todas as fases de uma consulta clínica. O primeiro passo é saber quando procurar o serviço de saúde. O Prontuário Pessoal de Saúde fornece informações sobre o funcionamento da equipe do PSF, dá alerta de consultas e retornos, mostra informações de saúde e indica os problemas mais frequentes da idade com o Formulário de Manutenção de Saúde.

Se um paciente pretende ir a uma equipe de PSF então o próximo passo é ter acesso. O Prontuário Pessoal de Saúde pode ajudar o acesso facilitando a marcação de consultas, evita visitas desnecessárias, diminui a fila, e fornece lembretes. Conseguindo uma consulta médica o próximo passo é facilitar o diagnóstico ou não conseguirá um tratamento. O Prontuário Pessoal de Saúde irá ajudar o médico dando informações quando o paciente está fora da equipe de saúde em um serviço com acesso a internet. O paciente entra com sua senha e o médico tem acesso a informações como lista de problemas, medicações e exames. As anotações sobre sintomas, dados vitais e uso correto (ou não) da medicação seria outro auxílio ao médico.

No tratamento o Prontuário Pessoal de Saúde pode ser mais interessante com o paciente tendo orientações em casa sobre suas patologias, alertas de horários de medicação e controle de uso de medicação. O simples fato de anunciar o resultado do tratamento pela internet já pode evitar uma consulta extra (e pode ser estruturado para criar estatísticas).

Os PHR apareceram na década de 90 de forma online e softwares. Nos EUA apenas 2% dos pacientes com PEP tinha um PHR em 2005. No PSF é previsível que uma pequena parcela dos usuários usaria os recursos citados, mas é um assunto que já poderia ser estudado e testado para futura implementação. Cerca de 25% da população brasileira tem acesso a internet, mas a maioria está concentrada nas classes mais altas. Os pacientes de classes mais baixas já têm acesso fácil a computadores com financiamentos, equipamentos usados, e acesso a internet grátis.

A acessibilidade ao PHI está relacionada com a disponibilidade de Portais, disponibilidade de computador, acesso a internet e conhecimento de informática básica. Os jovens são os maiores usuários sendo os principais alvos da implementação de um Prontuário Pessoal de Saúde e para auxiliar os outros moradores da casa.